Mercado de IoT via satélite cresce devido à falta de cobertura terrestre e novas alianças

Em 2024, haverá 5,8 milhões de assinantes de IoT via satélite, com um crescimento anual de 41,1% até 2029, impulsionado pela cobertura limitada em terra e novas alianças entre operadores móveis e de satélite.
22 de Setembro, 2025

A empresa de análise Berg Insight coloca o mercado mundial de comunicações IoT via satélite em uma fase de expansão sustentada. A base global de assinantes de IoT via satélite ultrapassou 5,8 milhões em 2024 e deve atingir 32,5 milhões em 2029, com uma taxa de crescimento anual composta de 41,1%. O avanço responde, em grande parte, à lacuna de conectividade existente: apenas cerca de 10% da superfície do planeta dispõe de serviços terrestres, o que abre um caminho de crescimento para soluções via satélite como complemento das redes celulares e não celulares em ambientes remotos.

As aplicações abrangem agricultura, localização de ativos, transporte marítimo e intermodal, exploração de petróleo e gás, serviços públicos, construção e administrações públicas. De acordo com o estudo, foram identificados 46 operadores ativos de IoT por satélite, entre empresas já estabelecidas e mais de duas dúzias de iniciativas recentes que estão apostando neste mercado.

No campo competitivo, a Berg Insight aponta a Iridium, Orbcomm, Viasat (Inmarsat) e Globalstar como os operadores com maior base de clientes. A Iridium posiciona-se como o operador com mais assinantes, com 2,0 milhões, após um crescimento de 10% no último ano. A Orbcomm, que passou de operar satélites para oferecer soluções de ponta a ponta (incluindo a revenda de serviços da Viasat e outros), registra 742.000 conexões de IoT por satélite no final do quarto trimestre de 2024, enquanto a Globalstar atinge 0,51 milhões. No degrau seguinte, várias empresas como Myriota (Austrália), Kineis (França) ou Thuraya (EAU) somam conexões na casa das dezenas de milhares.

A nova leva de projetos inclui, entre outros, Astrocast, AST SpaceMobile, Geespace, Hubble Network, Kineis, Ligado Networks, Lynk, Myriota, Omnispace, OQ Technology, Plan-S, Sateliot, Skylo e Starlink, muitos deles baseados em constelações de satélites em órbita baixa. Alguns utilizam tecnologias próprias, enquanto outros começam a apoiar-se em padrões sem fios terrestres como 4G/5G definidos por 3GPP, LoRa ou mesmo Bluetooth para conectar dispositivos IoT. Entre as que exploram a via 3GPP estão a OQ Technology, AST SpaceMobile, Omnispace, Sateliot, Ligado Networks, Lynk, Skylo, Connected, Iridium, Terrestar Solutions, Geespace e Starlink; em torno da LoRa trabalham a EchoStar Mobile, Fossa Systems, Lacuna Space, Innova Space, Plan-S e Eutelsat; e a Hubble Network trabalha com Bluetooth.

As colaborações entre operadores de satélite e móveis, bem como com MVNO, irão consolidar-se nos próximos anos. Neste contexto, a Skylo surge como o fornecedor NTN mais ativo em ofertas híbridas celular/satélite, com acordos com a Deutsche Telekom, BICS, emnify, floLIVE, Monogoto, O2 Telefónica (Alemanha), Particle, Soracom, Transatel, G+D, Verizon, KPN e 1GLOBAL. Além disso, outras empresas como Sateliot, Starlink, OQ Technology, Omnispace, Lynk, SES, Viasat, Terrestar e AST SpaceMobile também estão a fechar alianças com operadores móveis e virtuais, o que antecipa um cenário de maior interoperabilidade entre redes terrestres e não terrestres para atender a casos de uso críticos em áreas sem cobertura.

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