Ao longo dos anos, a Michelin foi acumulando diferentes sistemas e tecnologias nas suas fábricas, resultado de investimentos contínuos e crescimento orgânico. Esse cenário, comum em empresas industriais maduras, trouxe ganhos de capacidade, mas também uma complexidade crescente na gestão dos sistemas.
A diversidade de máquinas, protocolos e interfaces dificultava a criação de uma visão integrada das operações, obrigando ao uso de múltiplas interfaces homem-máquina (HMI) e aplicações gráficas (GUI) que, apesar de apresentarem informação semelhante, o faziam de forma inconsistente. Esta fragmentação tornava mais difícil a supervisão global das operações e limitava a eficiência na tomada de decisão.
Perante este contexto, a empresa definiu como prioridade a criação de uma solução que permitisse centralizar e normalizar a visualização dos dados operacionais. O objetivo passava por tornar a informação acessível e compreensível não apenas para equipas técnicas, mas também para outros perfis dentro da organização.
A necessidade passava por consolidar dados de múltiplas fontes e disponibilizá-los de forma contextualizada, em tempo útil e adaptada a diferentes níveis da organização, desde o chão de fábrica até às estruturas corporativas. Em paralelo, a integração entre sistemas de tecnologias de informação (IT) e tecnologias operacionais (OT) assumia um papel crítico, numa lógica de convergência de dados para geração de valor.
Para concretizar esta estratégia, a Michelin trabalhou com a Rockwell Automation no desenvolvimento de uma solução baseada na plataforma FactoryTalk Optix, um software de visualização e aquisição de dados com capacidades de integração IIoT, processamento em edge e gestão de informação.
A implementação assentou num modelo de codesenvolvimento e coinovação, permitindo adaptar a plataforma às necessidades específicas da Michelin e contribuir para a evolução futura da solução. Este trabalho conjunto resultou, entre outros aspetos, no desenvolvimento de um conector nativo para o sistema de comunicação baseado em Kafka, amplamente utilizado no ecossistema IT, facilitando a ligação entre os sistemas industriais e as plataformas corporativas.
A solução foi inicialmente implementada em três fábricas, duas em Espanha e uma em Itália, permitindo já a monitorização integrada de equipamentos desenvolvidos internamente e de soluções de outros fabricantes, como sistemas de transporte e veículos autónomos industriais (AGV), através de protocolos standard como OPC UA.
Os primeiros resultados apontam para uma maior capacidade de deteção precoce de anomalias e uma resposta mais rápida a potenciais falhas, contribuindo para a redução de paragens não planeadas e melhoria do tempo de operação dos equipamentos, um indicador central na indústria transformadora.
Apesar de ainda numa fase inicial, o projeto serve como base para uma estratégia mais ampla. A empresa prevê alargar a utilização da plataforma a outras unidades industriais e a diferentes fases do processo produtivo, incluindo montagem e fabrico de pneus.
A adoção de uma ferramenta comum à escala global deverá reduzir a complexidade operacional, simplificar a formação e acelerar futuras implementações, ao mesmo tempo que reforça a integração com sistemas empresariais e plataformas de dados.
A utilização generalizada de tecnologias da Rockwell Automation na infraestrutura existente foi um fator relevante para simplificar o desenvolvimento e a implementação da solução, permitindo manter coerência nos processos e ferramentas ao longo da organização.
O projeto continua em evolução, com equipas das duas empresas a trabalhar de forma contínua na introdução de novas funcionalidades e na adaptação da plataforma a diferentes contextos industriais, envolvendo também as equipas de IT da Michelin neste processo.







