Apesar de já serem equipamentos antiquados, os mainframes da IBM continuam a ser um pilar em muitas organizações e, de facto, vozes da indústria tecnológica têm afirmado que a era da IA não só não significará o fim destes aparelhos, como uma revitalização da sua utilização. Mas, ao mesmo tempo que se verifica esta situação de manutenção de hardware legado, a modernização do parque de aplicações, as exigências de segurança e a adoção de modelos operacionais híbridos na nuvem também estão a levar os departamentos de TI a procurar vias de ligação fiáveis entre as aplicações modernas que funcionam em sistemas operativos como o Windows e o Linux, e ambientes de nuvem, com os veteranos mainframes da IBM.
É por isso que a Microsoft apresentou o Host Integration Server 2028 (HIS 2028), uma nova versão de uma linha de produtos cuja origem remonta a 1990, quando a empresa de Redmond começou a oferecer conectividade com ambientes host através do Microsoft Communications Server. Essa iniciativa evoluiu até dar origem, no ano 2000, ao primeiro Host Integration Server, uma porta de ligação SNA que, com o tempo, alargou as suas capacidades aos armazéns de dados da IBM (DB2, VSAM e Informix), aos sistemas transacionais (CICS, IMS e IBM i) e à mensagens corporativas (MQ Series).
A nova versão é a sucessora direta do Host Integration Server 2020 e mantém as funcionalidades que caracterizaram o produto ao longo dos anos, como a conectividade SNA, as sessões 3270 e 5250, o Transaction Integrator para CICS e IMS, a ligação ao DB2 ou a integração com o IBM MQ.
A mudança estrutural mais relevante no HIS 2028 diz respeito à plataforma na qual é executado. A atualização do produto para o .NET 10, juntamente com a revisão do seu SDK para se alinhar com as práticas atuais de desenvolvimento neste framework, abre uma porta que até agora permanecia fechada. Pela primeira vez na história do Host Integration Server, uma das suas versões poderá ser executada em Linux, embora esta possibilidade se limite às funcionalidades alheias ao SNA, o protocolo de rede proprietário que a IBM concebeu na década de 70 para os seus mainframes.
A Microsoft também incorporou uma ligação com a Foundry, a sua plataforma para o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial, de modo a que os clientes possam criar agentes capazes de tirar partido dos dados alojados nos sistemas centrais e de gama média. A esta novidade junta-se a incorporação de interfaces REST modernas em áreas-chave de integração, entre as quais o fornecedor gerido do DB2 e as cargas de trabalho do Transaction Integrator ligadas ao CICS e ao IMS. Na prática, trata-se de disponibilizar funcionalidades que, até agora, exigiam abordagens artesanais através de uma linguagem contemporânea de comunicação entre aplicações.
Em matéria de identidade e gestão, o HIS 2028 incorpora suporte para o Microsoft Entra ID e a ativação do Azure Arc para o gateway do produto. Com isso, a empresa de Redmond procura facilitar às organizações a redução da dispersão de credenciais, melhorar a rastreabilidade dos acessos e aplicar diretrizes homogéneas de governança e supervisão tanto em ambientes locais como nos ligados à nuvem.
A intenção manifestada pela Microsoft é que estas capacidades complementem os controlos de identidade e operação que as empresas já têm implementados, integrando a conectividade com o host nos seus programas mais amplos de infraestrutura e segurança.
A experiência do programador também sofre alterações, com o ambiente de design a passar para o Visual Studio Code, uma decisão orientada para aproximar o produto dos fluxos de trabalho que predominam atualmente nas equipas de programação. Paralelamente, é alargado o catálogo de plataformas IBM compatíveis, com suporte para versões mais recentes do DB2, MQ, IMS e CICS.
A Microsoft indica também que, atualmente, está a incorporar clientes e parceiros no programa de acesso antecipado do Host Integration Server 2028, em preparação para a disponibilidade geral do produto, prevista para o próximo ano.







