Historicamente, a utilização da tecnologia de radar esteve maioritariamente circunscrita ao controlo da velocidade de veículos nas redes rodoviárias. Contudo, o desenvolvimento desta tecnologia expandiu o seu âmbito de aplicação, permitindo atualmente reforçar a segurança em ambientes industriais, centros de dados, estádios e infraestruturas críticas. Esta transição funcional garante a operacionalidade dos sistemas de proteção perimetral mesmo em cenários de visibilidade reduzida, como situações de chuva intensa, escuridão ou nevoeiro denso.
Neste segmento de mercado, a Axis Communications apresentou os modelos de radar AXIS D2122-VE e AXIS D2123-VE, que introduzem capacidades de classificação de objetos baseadas em inteligência artificial com funcionamento contínuo. O desenvolvimento destes dispositivos responde de forma direta a uma procura crescente por soluções de segurança em instalações logísticas e operacionais críticas, bem como em recintos que acolhem espetáculos musicais ou competições desportivas com elevada concentração de público.
Em termos estritamente técnicos, o modelo AXIS D2122-VE apresenta um campo de deteção horizontal de 180 graus, com capacidade para reconhecer indivíduos a uma distância máxima de 140 metros, cobrindo uma área total de até 20.000 metros quadrados. Por sua vez, a versão AXIS D2123-VE estende a cobertura horizontal para 270 graus, o que se traduz numa área de monitorização de até 30.000 metros quadrados. Ambos os dispositivos integram o processador ARTPEC-9, que viabiliza o processamento de inteligência artificial diretamente no equipamento e o acompanhamento simultâneo de até 100 objetos em tempo real. Esta arquitetura de computação na periferia (edge computing) elimina a dependência face à capacidade dos servidores centrais e assegura uma resposta imediata do sistema.
A eficácia operacional assenta na tecnologia de fusão radar-vídeo, um mecanismo que cruza os dados posicionais obtidos pelo radar com a capacidade de identificação visual das câmaras. Na prática, o radar atua como o sensor de deteção primário, coordenando e direcionando de forma automática uma câmara com funções de panorâmica, inclinação e zoom (PTZ) para as coordenadas exatas do alvo detectado. Este acompanhamento automatizado dispensa a intervenção manual contínua dos operadores na monitorização de múltiplos ecrãs, acelerando os procedimentos de resposta a eventuais incidentes.
Complementarmente, os equipamentos admitem a configuração de um sistema de verificação de duplo impacto. Este método de validação cruzada exige que o radar e a análise de vídeo da câmara confirmem a deteção de forma independente antes de ser emitido um alerta, reduzindo os falsos alarmes. Este filtro impede que variações ambientais, como sombras em movimento, reflexos de iluminação, precipitação ou a passagem de pequenos animais, gerem notificações indevidas na central de segurança.
Do ponto de vista da integração de sistemas, os radares demonstram compatibilidade com as principais plataformas de gestão de vídeo do mercado, incluindo o software próprio da marca, e com soluções de controlo de acessos. A gestão operacional pode ser centralizada a partir do radar ou da câmara associada através de um único endereço IP e de uma única licença de software. Adicionalmente, os dispositivos apresentam um consumo energético reduzido e suporte para alimentação elétrica via cabo de rede (PoE), fatores que simplificam a instalação em locais com infraestrutura elétrica restrita ou em unidades móveis de videovigilância.
De acordo com a perspetiva de Ricardo Pereira, gestor de vendas da Axis Communications para o território, as organizações responsáveis por ativos estratégicos necessitam de sistemas que operem sem quebras sob quaisquer condições atmosféricas. O responsável sublinha que a combinação entre o radar e a fusão de vídeo confere maior fiabilidade à proteção perimetral, argumentando que a mitigação de falsos alarmes evita o desperdício de recursos financeiros e diminui a fadiga operacional das equipas de segurança, enquanto a simplicidade da instalação reduz os custos gerais de infraestrutura.







