Nações Unidas aprovaram o primeiro quadro normativo mundial para veículos autónomos

Apoiada pelos principais mercados automóveis globais, esta nova regulamentação visa garantir padrões de segurança equivalentes ou superiores aos da condução humana, evitando disparidades legislativas entre países e exigindo controlos rigorosos aos fabricantes dos setores tecnológico e automóvel.
29 de Junho, 2026

Após uma década em que as previsões iniciais sobre a adoção em massa da condução automatizada não se concretizaram, o Grupo de Trabalho sobre Veículos Automatizados, Autónomos e Conectados, em funcionamento desde 2018, impulsionou um marco regulamentar de grande alcance: o Fórum Mundial das Nações Unidas adotou o primeiro quadro regulamentar global para sistemas de condução automatizada totalmente sem condutor. Esta regulamentação, que entrará em vigor dentro de pouco menos de um mês, recebeu o apoio dos maiores mercados automóveis a nível mundial, incluindo o Canadá, a China, os Estados Unidos, o Japão, o Reino Unido e a União Europeia.

O objetivo fundamental deste novo quadro regulamentar é estabelecer requisitos internacionais uniformes em matéria de segurança, bem como uma metodologia comum para validar os veículos equipados com estes sistemas. Através dessa normalização, pretende-se evitar a fragmentação das regulamentações a nível nacional e proporcionar um ambiente de mercado claro, uma certeza jurídica que permita aos fabricantes operar com um conjunto de regras previsíveis, gerar confiança entre os consumidores e facilitar que a inovação tecnológica possa ser implementada de forma segura em grande escala.

Para cumprir os requisitos deste quadro, a regulamentação estabelece uma série de obrigações ineludíveis para a indústria; principalmente, os fabricantes devem implementar um sistema de gestão da segurança auditado que abranja todo o ciclo de vida do produto, além de documentar testes estruturados que certifiquem a ausência de riscos injustificados nos seus sistemas.

Os ambientes onde os ensaios são realizados, sejam eles físicos ou baseados em simulações informáticas, devem cumprir critérios rigorosos de credibilidade. A regulamentação obriga igualmente à incorporação de mecanismos de armazenamento de dados para registar a informação crítica e a manter uma supervisão contínua do desempenho dos veículos em serviço.

No âmbito técnico e operacional, a regulamentação estabelece que o desempenho dos sistemas automatizados deve igualar ou superar o de um condutor humano competente. Uma vez que a tecnologia deve assumir todas as tarefas operacionais da condução, tais como o controlo da direção, a aceleração, a travagem e a sinalização, as autoridades exigirão que os fabricantes demonstrem a fiabilidade dos seus projetos e o cumprimento rigoroso das regras de trânsito.

Estas demonstrações deverão ser realizadas através de simulações informáticas, testes em circuitos fechados e ensaios em condições reais de circulação, contemplando diversos cenários que vão desde vias rápidas até ambientes puramente urbanos.

Para complementar a entrada em vigor desta nova regulamentação específica, o Fórum Mundial introduziu alterações em cerca de noventa regulamentos em vigor relativos a veículos, uma série de emendas que têm como objetivo fornecer os esclarecimentos necessários para garantir que a legislação existente mantenha a sua aplicabilidade aos automóveis equipados com sistemas de condução automatizada.

Essa estratégia garante a continuidade da estrutura jurídica atual, permitindo, ao mesmo tempo, a homologação de configurações de veículos totalmente inovadoras, incluindo aquelas unidades que não dispõem de nenhum comando de condução tradicional.

condução autónoma, Nações Unidas, normativa internacional, segurança rodoviária, sistemas automatizados

Opinião