NOS testa inteligência artificial agêntica em redes com tecnologia Deloitte

Operadora portuguesa será a primeira, a nível internacional, a aplicar em ambiente real a solução Agentic AI Blueprint for Telcos, desenvolvida pela Deloitte. O objetivo é criar agentes autónomos capazes de executar tarefas, tomar decisões e adaptar-se em tempo real na gestão de redes e operações.
19 de Fevereiro, 2026

A NOS vai avançar com a implementação, em contexto real, da solução Agentic AI Blueprint for Telcos, desenvolvida pela Deloitte, tornando-se a primeira empresa a nível internacional a aplicar esta abordagem fora do laboratório. O projeto posiciona Portugal como mercado de teste para a adoção de inteligência artificial agêntica no setor das telecomunicações.

A chamada Agentic AI distingue-se dos modelos tradicionais de automação por permitir a criação de agentes autónomos. Na prática, estes sistemas não se limitam a executar instruções pré-programadas. Os agentes desenvolvidos ao abrigo desta solução são concebidos para tomar decisões e ajustar-se em tempo real às condições da rede e das operações. Para os responsáveis de TI e de operações, isto traduz-se numa gestão mais dinâmica de infraestruturas críticas.

A solução foi desenhada em alinhamento com a framework de processos definida pelo TM Forum, amplamente utilizada na indústria das telecomunicações. Esse enquadramento facilita a integração da inteligência artificial nos processos já existentes e ajuda as equipas a identificar onde a tecnologia pode gerar maior impacto operacional. O blueprint fornece um modelo estruturado que orienta as operadoras desde a definição de casos de uso até à criação de provas de conceito em ambiente produtivo.

Segundo a informação divulgada, o objetivo é acelerar a adoção da Agentic AI nas operações, criando um percurso claro e escalável. A metodologia abrange a conceção, prototipagem e evolução contínua de agentes inteligentes aplicados à gestão de redes, às operações internas e à experiência do cliente. A ambição é impulsionar a automação inteligente da gestão de redes, reforçando simultaneamente a eficiência e a qualidade de serviço.

Do lado da NOS, o projeto enquadra-se numa estratégia mais ampla de integração de inteligência artificial em toda a organização. A direção de Engenharia de Redes considera que a aplicação desta abordagem poderá aumentar a produtividade das equipas técnicas e contribuir para uma melhoria global da qualidade das operações. A parceria com a Deloitte é vista como um passo adicional numa jornada de transformação já em curso.

Para a Deloitte, a Agentic AI representa uma oportunidade económica significativa para o setor das telecomunicações nos próximos cinco anos, estimada em 150 mil milhões de dólares. A consultora entende que esta abordagem pode redefinir a forma como as redes são geridas e otimizadas, ao permitir maior autonomia dos sistemas e capacidade de resposta a ambientes complexos e variáveis.

As duas organizações já colaboraram anteriormente em iniciativas de inovação no setor. Com este projeto, pretendem criar um modelo de gestão de redes baseado em agentes autónomos que possa ser replicado noutros operadores e mercados. A expectativa é que a combinação entre inteligência autónoma e escalabilidade contribua para aumentar a eficiência operacional, a resiliência das infraestruturas e a qualidade do serviço prestado.

Para os decisores de tecnologia, o teste agora iniciado pela NOS poderá servir como referência prática sobre a maturidade da inteligência artificial agêntica aplicada a ambientes críticos. O impacto real dependerá da capacidade de integrar estes agentes nos sistemas existentes e de garantir governação, controlo e métricas claras de desempenho num contexto produtivo.

Opinião