Nova rede prepara terreno para o tráfego de dados do futuro

Nova geração de ligações digitais entre Europa, América e Ásia promete responder ao aumento da procura gerada pela inteligência artificial, videojogos em cloud e streaming, com menos consumo energético e menor impacto ambiental.
4 de Novembro, 2025

A Colt Technology Services e a Ciena lançaram uma nova rede de alta capacidade que liga a Europa, a América e partes da Ásia, com o objetivo de dar resposta à pressão crescente sobre as infraestruturas globais de dados. O projeto resulta da implementação da tecnologia WaveLogic 6 Extreme (WL6e), um transponder de última geração da Ciena, e traduz-se num reforço significativo das ligações tanto submarinas como terrestres.

A nova infraestrutura foi concebida para apoiar dois grandes fornecedores globais de conteúdos digitais, conhecidos por serem os principais consumidores de largura de banda internacional. Estes operadores, também conhecidos como hyperscalers, têm visto a sua utilização crescer de forma contínua — de 5% da largura de banda internacional em 2005 para cerca de 74% atualmente, de acordo com dados da Telegeography.

O aumento da utilização de inteligência artificial, dos serviços de gaming e de streaming em alta definição tem colocado pressão sobre as redes existentes, levando a uma procura acelerada por novas soluções com maior capacidade e eficiência energética.

A tecnologia WL6e permite aumentar em 20% a capacidade de transmissão por fibra, ao mesmo tempo que reduz em 50% o espaço necessário para os equipamentos, o consumo de energia e as emissões de carbono em comparação com a geração anterior. Este avanço técnico foi aplicado na rota transatlântica através do cabo submarino Grace Hopper e nas ligações terrestres entre Dublin e Londres, bem como em várias redes na Ásia.

Com a nova solução, a capacidade da Colt por onda na ligação transatlântica passou de 450 Gbps para 1,2 Tbps, permitindo um crescimento de 140% na largura de banda disponível ao longo de aproximadamente 6.500 quilómetros. Esta capacidade equivale à possibilidade de realizar 44.000 sessões simultâneas de cloud gaming, cada uma com 25 Mbps, face às 18.000 sessões anteriores.

Nas ligações terrestres, a Colt conseguiu um aumento idêntico entre Lisboa e Madrid, passando de 600 Gbps para 1,5 Tbps. Esta evolução posiciona a operadora para enfrentar o aumento de tráfego de dados esperado nos próximos anos, particularmente no contexto de infraestruturas de TI mais distribuídas e exigentes.

A crescente pressão sobre os cabos transatlânticos deverá intensificar-se na próxima década, com estimativas a apontarem que a inteligência artificial poderá consumir até 30% da capacidade dessas rotas até 2035. Em 2025, a previsão é de 8%, o que evidencia a rapidez da transição.

Este desenvolvimento segue-se à primeira transmissão de 1,2 Tbps através do Atlântico anunciada em novembro de 2024, também protagonizada pela Colt e pela Ciena. A atual expansão representa a continuação dessa aposta em soluções de rede mais potentes, sustentáveis e preparadas para o futuro.

Além da infraestrutura transatlântica, as duas empresas estão a desenvolver redes óticas geridas (managed optical fibre networks, MOFN) na Europa e na Ásia, como parte de um esforço mais alargado para apoiar o ecossistema digital da nova era marcada pela inteligência artificial e pelo consumo massivo de dados em tempo real.

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