Fundada no Japão em 1936, a Ricoh iniciou atividade como fabricante de papel fotossensível, evoluindo posteriormente para a produção de máquinas fotográficas e equipamentos de impressão. Ao longo das décadas seguintes, o grupo foi alargando o seu portefólio tecnológico, acompanhando as mudanças no mercado empresarial e na forma como as organizações utilizam a tecnologia no dia a dia.
Em Portugal, a história da marca começa em 1982, quando os equipamentos Ricoh passaram a ser distribuídos pela empresa Rima, com origem no Porto. Num mercado dominado por grandes fabricantes internacionais, a introdução de uma marca japonesa ainda pouco conhecida representou uma aposta que viria a consolidar-se ao longo dos anos.
Os primeiros tempos ficaram marcados pela comercialização de fotocopiadoras analógicas. Pouco depois, os equipamentos de fax começaram a ganhar espaço nas empresas portuguesas, substituindo gradualmente o telex e introduzindo novas formas de comunicação empresarial.
A presença direta da empresa no país surge em fevereiro de 1994, com a criação da Ricoh Portugal como sucursal da Ricoh Europa. A nova estrutura integrou a equipa técnica e comercial que já trabalhava com a marca através da Rima, assegurando continuidade no suporte aos clientes e na presença comercial no mercado nacional.
A década de 1990 marcou uma mudança tecnológica significativa, com a introdução dos primeiros equipamentos digitais da marca no mercado português. Dois anos depois, em 1996, a empresa lançou no país o seu primeiro equipamento multifuncional digital, o Ricoh MV 715, que integrava funções de impressão, fax e cópia num único sistema baseado em tecnologia laser.
Este tipo de equipamento viria a tornar-se um elemento central nos escritórios das empresas, ao concentrar várias funções documentais num único dispositivo. Pouco tempo depois, a Ricoh reforçou essa estratégia com o lançamento da linha Aficio, que ajudou a acelerar a adoção de equipamentos multifunções digitais nas organizações.
Outro momento relevante surgiu em 2004 com a introdução da controladora GW, designada Grand Workware architecture. Esta componente tecnológica passou a funcionar como o núcleo dos sistemas multifuncionais digitais da marca, permitindo uma integração mais profunda com as redes empresariais e introduzindo funcionalidades de autenticação e segurança.
A introdução desta arquitetura marcou também a transição gradual de um modelo baseado na venda de hardware para uma abordagem centrada em soluções integradas.
Essa mudança estratégica tornou-se mais clara a partir de 2010, quando a empresa definiu a evolução para o modelo de Digital Services Company. O objetivo passou por combinar equipamentos, software e serviços de suporte para responder às necessidades de digitalização dos processos empresariais.
A reorganização do negócio em Portugal acompanhou essa evolução. Em 2017, a Ricoh Portugal passou a integrar a Ricoh Ibéria, adotando um modelo de gestão ibérico e de serviços partilhados com Espanha.
Nos anos seguintes, a estratégia passou também por reforçar competências na área das tecnologias de informação através de aquisições. Em 2019, a empresa integrou a TotalStor, operação que reforçou capacidades em infraestruturas de IT. Mais tarde, em 2022, adquiriu a Pamafe, ampliando competências em áreas como cloud, cibersegurança, infraestruturas híbridas e digital workplace.
Atualmente, os serviços de TI representam mais de 60% da faturação da Ricoh em Portugal, um indicador que reflete a mudança estrutural do negócio da empresa no país. Este posicionamento tem sido apontado dentro do próprio grupo como um exemplo da rapidez com que a organização local adaptou a estratégia global ao mercado.
Hoje, a empresa apresenta-se como integrador de serviços digitais e soluções de workplace, combinando equipamentos, software e serviços especializados em áreas como experiência do utilizador final, segurança informática, cloud e infraestruturas híbridas.
Com presença em mais de 190 países, a empresa sustenta atualmente a sua estratégia global no conceito “Fulfillment through Work”, que reflete a ideia de que o trabalho deve contribuir para a realização pessoal e coletiva.
A sustentabilidade tornou-se também um dos eixos estratégicos da organização. A empresa afirma integrar critérios ESG nas decisões de negócio e apostar em iniciativas ligadas à economia circular e à redução do impacto ambiental das suas operações.
Ao completar nove décadas de atividade, a história da Ricoh reflete um processo contínuo de reinvenção tecnológica e empresarial, passando de fabricante de equipamentos de impressão para parceiro tecnológico na transformação digital das organizações.






