Novo motor industrial assenta nos componentes para a robótica

O surgimento e a expansão dinâmica da robótica avançada, com especial enfoque nos sistemas humanoides, marcam uma nova fase no setor da automação global. Neste cenário de transformação tecnológica, o fornecimento de sensores especializados, software de controlo e sistemas de conversão de energia elétrica em movimento assume o papel de infraestrutura elementar para o desenvolvimento dos novos equipamentos industriais e domésticos.
12 de Junho, 2026

O desenvolvimento da robótica moderna exige uma convergência entre a mecânica de precisão e a inteligência artificial. Durante o evento setorial Bosch Connected World, realizado em Berlim, a Robert Bosch GmbH apresentou a sua estratégia orientada para o mercado de automação, sustentada na transição das tecnologias automóveis e residenciais para o ecossistema dos sistemas robóticos autónomos. A empresa prevê que este segmento represente um mercado de milhares de milhões de euros, impulsionado pela necessidade de aumentar a competitividade fabril e de responder à escassez de mão de obra qualificada na Europa.

A escala de produção destes dispositivos impõe desafios técnicos consideráveis, particularmente no que respeita à sensibilidade mecânica. Os robôs necessitam de capacidade tátil para interagir de forma segura com o ambiente circundante, uma função assegurada pelos sensores microeletromecânicos, designados por sensores MEMS. A relevância desta tecnologia reflete-se nas projeções do Yole Group, que apontam para que o mercado global de sensores MEMS atinja um valor superior a 19,2 mil milhões de dólares até 2030, registando uma taxa média anual de crescimento de 4%. Para ilustrar a magnitude da procura futura, a administração da empresa sublinha que o corpo humano possui cerca de 4 milhões de recetores de tato, uma proporção que exigiria o equivalente a quatro anos de produção mundial de sensores para equipar apenas 12 500 robôs com idêntica capacidade.

Em termos de arquitetura de controlo, a integração de braços robóticos com sistemas de transporte autónomos processa-se através de plataformas abertas, como a ctrlX AUTOMATION. Esta solução permite a incorporação modular de ferramentas de alta precisão em cadeias de montagem já existentes. Adicionalmente, a divisão Bosch Rexroth fornece os componentes físicos essenciais, tais como servomotores e motores elétricos, que constituem a estrutura motriz necessária para a velocidade e dinâmica dos movimentos dos novos equipamentos.

A evolução para a chamada robótica cognitiva conta com uma estratégia assente em parcerias e unidades especializadas. A empresa instituiu a Robert Bosch Robotics GmbH e estabeleceu uma colaboração com a startup alemã Neura Robotics. No plano internacional, presta apoio à escala de produção de marcas como a Humanoid, no Reino Unido, além de projetos nos Estados Unidos e na China, onde o Bosch Robotics Center China centraliza o desenvolvimento de sistemas mecânicos dotados de inteligência artificial.

O avanço destes modelos de aprendizagem assenta num volume de informação industrial recolhido numa rede global de mais de 230 fábricas, cujos dados operacionais são utilizados para treinar algoritmos em tarefas de manutenção preditiva e deteção de defeitos. Complementarmente, a recolha de dados de movimentos humanos através de fatos tecnológicos especializados serve para converter sequências físicas em código legível por máquinas. No que respeita à perceção pública desta evolução, os dados do estudo de mercado Bosch Tech Compass indicam que 70% dos 11 000 inquiridos, distribuídos por sete países, identificam a inteligência artificial como uma tecnologia determinante para o futuro.

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