NTT DATA apresenta um desenho estratégico da energia

O relatório Energy Trends analisa de que forma as empresas do setor estão a integrar a inovação como uma infraestrutura de gestão central, mapeando os principais entraves operacionais, os níveis de maturidade das organizações e as novas prioridades no investimento em soluções de descarbonização em escala industrial.
16 de Junho, 2026

O setor energético global e nacional enfrenta um período de transformação acelerada, condicionado pela transição para modelos sustentáveis, pressões regulatórias e volatilidade geopolítica. Neste cenário complexo, o estudo Energy Trends indica que a transformação digital deixou de ser um conjunto de iniciativas isoladas ou meros projetos-piloto para se estabelecer como um habilitador estrutural de toda a atividade do negócio. O foco atual das organizações centra-se na modernização de infraestruturas, na valorização dos dados para otimizar os processos de tomada de decisão e na implementação alargada de tecnologias avançadas, com especial destaque para a inteligência artificial.

A transição eficaz exige que as empresas consigam assumir riscos informados e identificar oportunidades de mercado que ultrapassem as fronteiras dos modelos comerciais tradicionais. No entanto, o relatório apresentado pelo NTT DATA identifica dez desafios estruturais que afetam diretamente a eficácia destes processos de modernização. O equilíbrio entre a autonomia das equipas de trabalho e as prioridades estratégicas da empresa constitui o principal obstáculo para 21% das organizações inquiridas. Adicionalmente, a medição do impacto real da inovação e o seu posicionamento como motor de desenvolvimento são preocupações apontadas por 14% dos gestores, ao passo que a transição de projetos experimentais para soluções de larga escala é uma barreira para 7% das entidades.

Os restantes entraves identificados no setor incluem a necessidade de otimizar a colaboração com startups, a capacidade de antecipar tendências em ambientes mutáveis, a definição do momento ideal para assumir a liderança tecnológica e a gestão equilibrada entre melhorias incrementais e disrupções profundas. As empresas debatem-se ainda com a transformação da própria cultura organizacional e com a decisão estratégica de desenvolver competências técnicas internamente ou recorrer a parceiros do ecossistema alargado.

Para balizar o progresso do mercado, o documento estabelece uma estrutura baseada em cinco pilares fundamentais: a estratégia, a estrutura, a cultura, as métricas e o ecossistema envolvido. A partir deste modelo, foram mapeados cinco estágios sucessivos de maturidade organizacional no tecido empresarial da energia. O primeiro nível, designado como emergente e reativo, caracteriza-se por ações de inovação pontuais, desprovidas de foco estratégico ou de uma estrutura de suporte. No nível funcional e incipiente, verifica-se já uma orgânica básica, embora os processos continuem muito dependentes das áreas de negócio tradicionais. O terceiro estágio envolve organizações alinhadas e integradas, onde a inovação acompanha as diretrizes da administração, mas ainda carece de autonomia funcional. Os níveis mais avançados correspondem ao estágio autónomo e estratégico e, finalmente, ao perfil de orquestrador e influenciador sistemático, no qual a empresa lidera ativamente o ecossistema setorial e consegue replicar soluções com impacto sistémico.

O panorama do investimento em novas empresas tecnológicas reflete também uma alteração clara de prioridades, com mais de 35% dos recursos financeiros a serem canalizados para ferramentas de descarbonização com viabilidade em escala industrial. Esta orientação financeira surge acompanhada por uma diversificação de capital para serviços transversais e novas fontes energéticas, incluindo o hidrogénio, a captura e o armazenamento de carbono, os combustíveis sintéticos, os biocombustíveis e os sistemas de digitalização industrial. Esta alocação de ativos visa assegurar vantagens competitivas duradouras, mitigar os riscos associados às alterações legislativas e construir cadeias de valor mais resilientes perante as conjunturas internacionais.

No plano regulatório e de gestão global, Héctor Pinar, responsável internacional pela área de energia e serviços públicos da NTT DATA, salienta que a evolução do setor requer uma abordagem conjunta que articule tecnologia, recursos humanos e sustentabilidade para obter um impacto real a longo prazo. O responsável sublinha que a integração destas componentes exige o desenvolvimento de uma cultura corporativa que as incorpore na própria identidade do negócio, superando a mera vertente do investimento financeiro.

No contexto do mercado português, Luís Vaz de Carvalho, parceiro e responsável pela divisão de energia e serviços públicos da consultora em Portugal, enfatiza que a inovação tecnológica se transformou definitivamente num elemento de diferenciação estratégica em detrimento de uma mera função de apoio. De acordo com a perspetiva do gestor local, a capacidade de massificar o uso de tecnologias emergentes e de estruturar redes colaborativas de trabalho funcionará como o fator crítico para assegurar a competitividade e o crescimento sustentável das companhias nacionais no atual quadro macroeconómico. O documento, produzido pela NTT DATA, conclui que o recurso a análises especializadas é indispensável para antecipar as dinâmicas de mercado, validando a importância do aconselhamento estratégico na execução de planos que unam a eficiência operacional à sustentabilidade a longo prazo.

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