Nvidia licencia tecnologia da Groq e integra liderança num acordo que evita aquisição

Nvidia chegou a acordo para licenciar tecnologia de chips da startup Groq e integrar o seu fundador e CEO, Jonathan Ross, numa operação que segue um padrão cada vez mais comum no setor tecnológico: acesso a tecnologia e talento sem avançar para uma aquisição formal.
26 de Dezembro, 2025

O entendimento foi tornado público pela Groq, que revelou que a Nvidia assinou uma licença não exclusiva para utilizar a sua tecnologia de chips e que irá contratar Jonathan Ross, antigo responsável pelo arranque do programa de chips de inteligência artificial da Google, bem como o presidente da Groq, Sunny Madra, e outros engenheiros da equipa, segundo informou a Reuters. Uma fonte próxima da Nvidia confirmou a existência do acordo de licenciamento, sem divulgar valores ou condições financeiras.

A estrutura do negócio permite à Nvidia reforçar capacidades numa área onde enfrenta concorrência crescente, evitando, ao mesmo tempo, a compra integral da empresa. Este tipo de operação tem sido recorrente nos últimos anos entre grandes grupos tecnológicos, que optam por acordos de licenciamento e contratação direta de executivos-chave em vez de aquisições clássicas.

A Groq é especializada em inferência, a fase em que modelos de inteligência artificial já treinados respondem a pedidos dos utilizadores. Embora a Nvidia domine o mercado de treino de modelos de IA, a inferência é um segmento mais disputado, onde competidores tradicionais como a Advanced Micro Devices e startups como a Cerebras Systems têm procurado ganhar espaço.

Apesar de um relato da CNBC ter avançado que a Nvidia estaria disposta a adquirir a Groq por cerca de 20 mil milhões de dólares em numerário, nenhuma das empresas comentou essa informação. A Groq sublinhou que continuará a operar de forma independente, com Simon Edwards como CEO, e que o seu negócio de cloud se mantém ativo.

Este tipo de acordos tem atraído a atenção dos reguladores, ainda que, até ao momento, nenhum tenha sido revertido. Analistas do setor apontam o risco antitrust como o principal fator de escrutínio, embora a natureza não exclusiva da licença contribua para preservar a aparência de concorrência no mercado, mesmo com a transferência de liderança e talento técnico para a Nvidia.

Do ponto de vista tecnológico, a Groq distingue-se por não recorrer a memória externa de alta largura de banda, utilizando antes memória SRAM integrada no chip. Esta abordagem reduz a dependência de um componente escasso na indústria global de semicondutores e acelera a resposta de chatbots e outros modelos de IA, embora limite a dimensão dos modelos que podem ser servidos.

A empresa duplicou a sua avaliação para 6,9 mil milhões de dólares após uma ronda de financiamento de 750 milhões de dólares realizada em setembro, depois de em agosto do ano anterior estar avaliada em 2,8 mil milhões. A Cerebras Systems, principal rival da Groq nesta abordagem técnica, prepara-se para uma eventual entrada em bolsa, e ambas as empresas assinaram contratos de grande dimensão no Médio Oriente.

O movimento surge num momento em que o próprio Jensen Huang, CEO da Nvidia, tem defendido publicamente que a empresa conseguirá manter a sua posição à medida que o mercado de IA evolui do treino para a inferência. O acordo com a Groq reforça essa estratégia, combinando acesso a tecnologia diferenciada com a integração de executivos experientes, sem os riscos imediatos associados a uma aquisição total.

Opinião