A Nvidia, que nas últimas semanas recuou de uma capitalização recorde de 5 biliões de dólares para cerca de 4,5 biliões, iniciou um esforço concertado para responder às avaliações negativas que têm surgido entre analistas e autores independentes. A empresa distribuiu um documento extenso a analistas financeiros para contestar alegações sobre fragilidades nas suas demonstrações públicas, numa iniciativa invulgar para um fabricante de semicondutores do seu tamanho.
O documento, consultado pela Reuters e divulgado na íntegra pela Bernstein, dirige-se sobretudo a argumentos apresentados recentemente por Michael Burry e por autores de newsletters online. Burry tem ganho visibilidade ao reforçar o ceticismo em torno da evolução da Nvidia, recorrendo ao seu novo boletim para questionar a sustentabilidade da atual valorização da empresa.
O memorando refuta a ideia de que a Nvidia enfrenta acumulação significativa de inventários ou problemas de cobrança, um ponto levantado num ensaio baseado numa análise automatizada das contas públicas da empresa. A Nvidia apresentou dados das suas próprias divulgações para explicar porque estas conclusões não se aplicam ao seu caso.
A empresa confrontou ainda comparações feitas com fraudes contabilísticas do passado, como os casos WorldCom, Lucent ou Enron. Segundo a Nvidia, as suas demonstrações públicas demonstram diferenças estruturais importantes que afastam esse paralelismo. No entanto, assumiu que a mais recente geração de chips Blackwell apresenta margens brutas mais baixas e custos de garantia mais elevados, que atribui à maior complexidade técnica destes processadores.
A Nvidia não comentou publicamente o teor do documento enviado aos analistas.
A divulgação do memorando ocorreu após uma queda das ações motivada por um artigo do site The Information, que avançava que a Meta estaria a discutir com a Google o uso de processadores de IA concorrentes dos fabricados pela Nvidia. A empresa reagiu de imediato na rede X, onde afirmou que os seus chips continuam uma geração à frente da concorrência, embora tenha saudado o avanço tecnológico da Google.
A resposta pública gerou debate na própria plataforma. Alguns utilizadores questionaram a necessidade de a Nvidia recorrer às redes sociais para defender a sua posição face a um dos seus principais clientes. Entre essas vozes esteve uma investigadora da DeepMind, que observou que a reação poderia projetar uma imagem de fragilidade num momento em que o mercado está particularmente atento a sinais de desaceleração.
Num momento em que a sua valorização bolsista perde fôlego, a Nvidia tem procurado contrariar a crescente onda de críticas, recorrendo a análises detalhadas para rebater dúvidas sobre as suas contas e a dinâmica da procura pelos seus processadores de IA.
Com informação Reuters







