A evolução dos ecossistemas digitais colocou a inteligência artificial no topo das agendas dos comités de direção em todo o mundo. Todavia, a passagem da teoria para a prática tem exposto uma fragilidade estrutural no tecido corporativo. Cerca de 80% dos projetos de inteligência artificial não consegue superar a fase piloto, gorando as expectativas de integração sistémica nas estruturas das organizações. Esta taxa de insucesso sublinha a complexidade enfrentada pelos diretores de sistemas de informação na transição de ambientes de teste controlados para as operações diárias do negócio.
A rentabilização destas soluções tecnológicas exige a sua incorporação em sistemas informáticos legados e de elevada complexidade, frequentemente condicionados por estruturas organizativas rígidas. O bloqueio na escala dos projetos decorre de múltiplos fatores estruturais. Entre os principais impedimentos encontram-se o desalinhamento com as metas de negócio, a maturidade insuficiente na gestão de ativos de dados, a carência de modelos de governação tecnológica definidos e as resistências culturais internas face à adoção de mecanismos automatizados de apoio à tomada de decisão.
O rumo do mercado dita que o potencial técnico está validado, transferindo o foco do problema para a vertente operacional. O vetor de diferenciação competitiva deslocou-se para a capacidade de executar e gerir estas ferramentas sob critérios de segurança, governação e escalabilidade, de forma a extrair ganhos reais de produtividade e eficiência.
A este panorama de desafios internos soma-se uma alteração profunda no ambiente regulatório com a entrada em vigor do Regulamento Europeu de Inteligência Artificial. Esta nova legislação europeia introduz obrigações que serão aplicadas de forma gradual ao longo dos próximos anos. O novo quadro normativo obriga as empresas a reforçar a supervisão e a rastreabilidade dos sistemas, exigindo uma rápida adaptação das corporações do continente para conciliar a inovação com o cumprimento legal estrito, salvaguardando a autonomia digital.
Como resposta a este cenário, várias consultoras tecnológicas têm desenvolvido uma abordagem metodológica que articula a execução local com as diretrizes globais através de uma plataforma interna de adoção transversal. Este tipo solução, normalmente gerida por uma rede internacional de especialistas, tende em e gerar impactos mensuráveis nas métricas de eficiência operacional. No entanto o preço cobrado pelas consultoras ainda esta acima das reais possibilidades da maioria das empresas portuguesas, nomeadamente das de pequeno e médio porte.
É verdade que o trabalho operado pelas consultoras especializadas pode levar a uma otimização de processos até 40% de redução dos tempos de desenvolvimento de engenharia e de elaboração de propostas comerciais. Somando a esta redução uma diminuição nos ciclos de testes de software, a mitigação de falhas nos ambientes de produção e uma progressão de 30% na capacidade produtiva das equipas de pré-venda.
Numa fase de verdadeira transformação digital como a que vivemos, as decisões na área dos sistemas de informação estão a assumir um estatuto de pilares estratégicos para a competitividade e soberania digital no espaço europeu. O sucesso sustentável a longo prazo destas arquiteturas tecnológicas dependerá de um equilíbrio rigoroso entre os instrumentos operativos, a análise analítica de dados e a valorização do capital humano. A requalificação profissional e a formação de perfis especializados na supervisão de sistemas serão determinantes para ditar quais as organizações que alcançarão uma posição de vantagem competitiva no mercado ao longo da próxima década. Mas não vai chegar para as empresas que queiram vingar no setor ou ter respostas sustentadas e firmas, será inevitável ter ao seu lado uma consultora especializada em tecnologia.







