O boom da IA nas empresas aumenta os riscos de uso não autorizado

À medida que cresce o uso da IA nas empresas, também aumentam os riscos de uso não autorizado. Apenas um em cada quatro funcionários afirma que nunca usaria ferramentas de IA não aprovadas pela sua organização.
24 de Junho, 2025

O ritmo de adoção de ferramentas de inteligência artificial nas empresas não para de acelerar, mas essa expansão vem acompanhada de uma ameaça emergente: o uso não autorizado dessas tecnologias pelos próprios funcionários. De acordo com dados recolhidos pela Stocklytics.com a partir do Technology Perceptions Survey Report 2025 da INTAPP, metade dos profissionais já utilizou ferramentas de IA não autorizadas no seu local de trabalho, expondo informações corporativas sensíveis a possíveis fugas ou utilizações indevidas.

Em 2025, 56% das empresas já terão integrado a IA nas suas operações, enquanto outras 32% estarão a dar os primeiros passos. As principais aplicações empresariais destas ferramentas incluem a geração de documentos e a síntese de informações, com uma adoção superior a 40% entre os inquiridos. Outras áreas com uso significativo são a investigação (36%), o controlo de qualidade (33%) e as consultas por voz (31%).

Apesar dos benefícios em termos de eficiência e redução de custos, as empresas enfrentam um risco crescente dentro das suas próprias equipas. O estudo mostra que 24% dos funcionários utilizaram repetidamente ferramentas de IA não autorizadas e outros 26% fizeram-no ocasionalmente. Além disso, 23% dos inquiridos admitem que as utilizariam se tivessem oportunidade, o que deixa apenas 25% dos profissionais que recusariam a sua utilização em qualquer circunstância.

Este comportamento põe em causa a proteção dos dados corporativos, uma vez que muitas destas ferramentas não foram avaliadas pelos departamentos de segurança nem cumprem as normas de privacidade e proteção de dados exigidas pelas regulamentações internacionais.

Entre os principais riscos associados ao uso não autorizado estão o vazamento de informações confidenciais, infecções por malware e o compartilhamento involuntário de dados com terceiros. Tudo isso pode comprometer tanto os ativos digitais da empresa quanto o relacionamento com os seus clientes ou parceiros.

O número de utilizadores de ferramentas de inteligência artificial está a crescer exponencialmente. De acordo com estimativas da Statista, em 2025 haverá cerca de 350 milhões de utilizadores de IA em todo o mundo, um número que triplica o registado cinco anos antes. Espera-se que este número ultrapasse os 500 milhões em 2027 e atinja os 1,1 mil milhões em 2031.

Este crescimento não implica apenas uma maior adoção por parte das empresas, mas também uma maior disponibilidade de ferramentas acessíveis a qualquer utilizador. Neste contexto, os responsáveis de TI devem antecipar os riscos decorrentes do uso autónomo e não autorizado, reforçando tanto as políticas de controlo de acesso como a formação do pessoal em boas práticas digitais.

A popularização da IA exige uma reformulação da gestão do risco interno nas organizações, onde a confiança e a supervisão devem ser equilibradas para proteger os dados sem frear a inovação.

Opinião