A discussão sobre o automóvel elétrico em Portugal esteve durante anos presa a duas perguntas simples. Havia autonomia suficiente? E havia carregadores suficientes? Os dados agora apresentados pela Iberdrola | bp pulse mostram que a resposta começa a mudar, não apenas por causa da tecnologia dos veículos, mas pela forma como os condutores estão a integrar a rede pública nas suas rotinas.
Em Portugal, 82% dos condutores de veículos elétricos já utilizam pontos de carregamento públicos, seja em estrada, na via pública, em supermercados, centros comerciais ou parques de estacionamento. Mais relevante ainda, 68% dos utilizadores habituais da rede pública recorrem à infraestrutura rápida ou ultrarrápida para viagens de longo curso, especialmente durante o verão.
Para os decisores tecnológicos, este dado é mais importante do que parece. A mobilidade elétrica está a deixar de depender apenas da venda de automóveis e passa a depender de uma infraestrutura híbrida, física e digital. O posto de carregamento é o elemento visível. A experiência real vive na localização, na disponibilidade, na fiabilidade, na informação em tempo real e na simplicidade do pagamento.
O estudo mostra que os utilizadores valorizam sobretudo a localização dos pontos de carregamento, indicada por 38% dos inquiridos, seguida da velocidade de carregamento e da fiabilidade da rede, ambas com 26%. Esta hierarquia é reveladora. O condutor não procura apenas potência. Procura previsibilidade. Quer saber onde carregar, se o posto está disponível, quanto tempo vai demorar e se o processo decorre sem fricção.
Portugal conta já com mais de 15.000 pontos de carregamento em funcionamento, segundo dados oficiais da MOBI.E., e mais de 270 mil veículos 100% elétricos em circulação. As vendas também continuam a acelerar, com um crescimento homólogo de 34,61% em abril face a 2025. A escala começa, portanto, a colocar pressão sobre a qualidade do serviço.
A Iberdrola | bp pulse afirma dispor de mais de 2.500 pontos de carregamento na Península Ibérica, cerca de 70% dos quais ultrarrápidos, com potências entre 150 e 600 kW. Mas a competição neste mercado dificilmente será decidida apenas pelo número de postos. A próxima fase será definida pela experiência do utilizador e pela capacidade dos operadores em transformar carregamento numa operação previsível, rápida e digitalmente simples.
Há também um sinal geracional. Entre os condutores dos 25 aos 34 anos, 78% recorrem à rede pública com uma frequência média mensal de até seis carregamentos. Para estes utilizadores, carregar fora de casa parece estar a tornar-se uma extensão natural da mobilidade, não uma exceção.
O ponto crítico está aqui. O carregamento público deixou de ser apenas infraestrutura energética e tornou-se uma plataforma de serviço. Para operadores, retalhistas, municípios, gestores de parques, centros comerciais e empresas com frotas, isto abre uma nova frente de decisão tecnológica. A mobilidade elétrica já não se mede apenas em quilómetros de autonomia. Mede-se em dados, disponibilidade, integração digital e confiança.







