Atualmente, a Inteligência Artificial, IA, é um dado adquirido nas estratégias tecnológicas da maioria das organizações e passou, a um ritmo célere, de uma tímida experimentação para a implementação em escala. As empresas e os fornecedores independentes de software (ISVs) precisam de uma tecnologia aberta, confiável e com governança para levarem a utilização de IA para outros patamares. A tecnologia conquistou o mundo e as estimativas apontam para que a inteligência artificial generativa impulsione até mil milhões de aplicações até 2028 (fonte: Gary Chen e Jim Mercer no estudo da IDC, “1 Billion New Logical Applications: More Background).
As organizações confrontam-se, no seu quotidiano, com novos desafios com a evolução da curva de maturidade da Inteligência Artificial, na medida em que têm de passar do processo de experimentação da IA para a sua implementação em escala. E para que isso aconteça é preciso compreender como implementá-la para que possam obter resultados específicos nas suas empresas, o que significa adotar um modelo de governança desde o início; desenvolver as capacidades certas e ajustar a tecnologia de IA aos seus requisitos precisos.
Estas mudanças podem conduzir à ideia errada de que os fornecedores independentes de software – ISVs – e as empresas que integram software nos seus produtos estejam adiantadas neste caminho. No entanto, a realidade indica que mesmo que uma organização seja líder em tecnologia, a probabilidade de ser especialista em IA é reduzida, razão pela qual, está na altura das empresas se apoiarem nos gigantes – ou nos veteranos em IA, um caminho que lhes pode trazer vantagens sem precedentes.
Integração em LLMs específicos do setor
Ao associarem-se a um fornecedor de tecnologia com uma estratégia de IA madura, os ISVs e empresas semelhantes podem dar um salto nos seus próprios planos. A escolha de parceiros que se focam no desenvolvimento aberto da IA é uma jogada inteligente. Com uma abordagem não proprietária que incentiva a colaboração na forma como os modelos de linguagem de grande escala (LLMs) são concebidos, desenvolvidos e dimensionados, estas organizações estão a acelerar a criação de modelos especializados por indústria.
Esta conjugação proporciona um valor único para os ISVs, que muitas vezes servem um setor muito específico e, por isso, beneficiam de modelos de IA que são treinados utilizando terminologia específica do domínio e da função. Tomemos o exemplo de um ISV que serve o mundo dos recursos humanos (RH). Os LLMs que reconhecem termos como talento, base salarial, horários, entre outros indicadores, serão muito mais úteis. A utilização destes LLMs especializados ajudará os ISVs e empresas semelhantes a reduzir o tempo de entrada no mercado das suas aplicações e a aumentar a relação custo-eficácia.
Automatizar para o sucesso
É frequente falar-se sobre a forma como a IA impulsiona a automação, mas cada vez mais a automação está a impulsionar a IA. Até 2025, a Gartner estima que 80% do ciclo de vida de desenvolvimento de software envolverá a geração de código de IA generativa, aumentando a produtividade do programador até 75% em vários casos de uso. Com 54% das empresas a afirmar que a escassez de competências em TI está a impedi-las de acompanhar o ritmo da mudança, é evidente que esta ajuda veio na altura certa.
A IA de conversação também está a ganhar destaque, transformando tanto a forma como os utilizadores interagem com a IA como a forma como a IA responde. Os ISVs e empresas similares podem tirar partido das tecnologias de orquestração da IA que permitirão a um assistente de IA fazer mais do que fornecer dados – em vez disso, tomar decisões e executar fluxos de trabalho.
Realço que as organizações podem beneficiar do facto de não terem de criar estas capacidades a partir do zero. Com ferramentas low-code concebidas para serem utilizadas sem qualquer formação especializada, podem colocar o desenvolvimento de IA nas mãos dos seus especialistas. Isto não só as ajudará a alinharem-se melhor com os resultados comerciais específicos, como também evita o investimento em recursos de desenvolvimento dispendiosos.
Criar confiança em cada passo
Uma das maiores preocupações em torno da Inteligência Artificial é o desafio da governança da IA. Desde alucinações de IA até à utilização indevida de dados, todos temos de estar atentos aos riscos inerentes à adoção em larga escala desta tecnologia. Os ISVs e empresas semelhantes, devem procurar fornecedores de tecnologia que se foquem na ética da IA. Políticas como a não utilização de dados de clientes para treinar modelos, a garantia de que os modelos ajustados pertencem apenas ao cliente para o qual foram criados e em que a indemnização dos modelos esteja prevista ajudam a inspirar confiança. Para que os requisitos sejam cumpridos, é necessário que recorram a especialistas neste domínio que conseguem juntar o conhecimento, à mínima exposição ao risco, enquanto ajudam as organizações a pouparem tempo e dinheiro no desenvolvimento da criação do futuro da Inteligência Artificial.
Pedro Raminho é Software Sales & Ecosystem, IBM Portugal







