O mercado móvel europeu alerta para a necessidade de investimento e reformas para manter a competitividade

De acordo com a GSMA, o ecossistema das telecomunicações móveis contribuiu com mais de um bilião de euros para a economia europeia em 2025, mas alerta para um défice de investimento de 200 mil milhões de euros na próxima década, o que exige uma flexibilização da regulamentação das fusões e uma abordagem regulatória equitativa.
15 de Junho, 2026

O setor das telecomunicações móveis na União Europeia gerou um contributo económico de 1,1 biliões de euros durante 2025, segundo afirma a GSMA no seu último relatório sobre a economia móvel na Europa para o presente ano de 2026, o que representa 6,1% do produto interno bruto da região. Este valor baseia-se principalmente nas melhorias da produtividade empresarial e na contribuição direta do próprio ecossistema tecnológico.

Por seu lado, as previsões apontam para que o impacto económico das redes móveis atinja 1,6 biliões de euros em 2030, impulsionado pela expansão do 5G, da inteligência artificial e da Internet das Coisas. Além disso, a indústria sustentou direta e indiretamente 2,4 milhões de postos de trabalho durante o último exercício e contribuiu com 110 mil milhões de euros para os cofres públicos europeus.

Apesar destes dados macroeconómicos, o setor enfrenta um importante desafio financeiro para a próxima década. Com efeito, os operadores prevêem investir 270 mil milhões de euros entre 2026 e 2036 apenas para manter o ciclo habitual de atualização tecnológica e substituição de equipamentos. No entanto, as análises do setor indicam que serão necessários 200 mil milhões de euros adicionais para que a Europa recupere a competitividade global em matéria de conectividade, elevando o investimento total necessário para 475 mil milhões de euros.

Este capital extraordinário deverá ser destinado a dotar as principais vias de transporte de cobertura 5G, alargar esta tecnologia a todas as zonas povoadas, melhorar a resiliência das infraestruturas críticas face a ameaças cibernéticas e climáticas e preparar as redes para suportar cargas de trabalho de inteligência artificial.

Para viabilizar este volume de despesas de capital, as análises históricas do mercado europeu mostram que uma maior concentração do mercado incentiva o investimento por operador. Os dados recolhidos evidenciam que os mercados com três operadores registam investimentos significativamente mais elevados por operador do que aqueles fragmentados em quatro concorrentes. Por isso, é necessária uma revisão das diretrizes da União Europeia em matéria de fusões horizontais, para que deixem de se centrar exclusivamente nos efeitos estáticos a curto prazo sobre os preços e avaliem o impacto a longo prazo na inovação e na construção de capacidades tecnológicas.

A par do aspeto financeiro, a cibersegurança tornou-se uma prioridade face ao volume contínuo de ataques diretos às redes, o que está a obrigar as empresas a investir em automatização e centros de operações especializados. Ao mesmo tempo, as empresas de telecomunicações estão a posicionar-se no mercado emergente da inteligência artificial soberana. Aproveitando a sua experiência na gestão de infraestruturas críticas e ambientes regulamentados, várias empresas estão a construir fábricas de inteligência artificial equipadas com processadores avançados e centros de dados na periferia da rede, garantindo que o processamento da informação se rege por normas locais e permanece dentro das fronteiras da UE.

Conforme continua a afirmar a GSMA no seu relatório, no âmbito ambiental e social, o continente europeu destaca-se pelo desenvolvimento de infraestruturas de telecomunicações de baixo impacto ecológico, de acordo com métricas que avaliam a eficiência energética e a utilização de fontes renováveis. Países como a Suíça, a Suécia e a Espanha lideram os índices de sustentabilidade da rede.

As operadoras também estão a promover a inclusão digital através da implementação de tarifas sociais destinadas a grupos vulneráveis, bem como de programas de formação em competências digitais e soluções integradas para a proteção de menores na Internet.

Por fim, e já no plano legislativo, a associação representativa das operadoras de telecomunicações insta à correção das recentes propostas regulamentares comunitárias. Embora a entidade avalie positivamente as medidas relativas ao espectro radioelétrico incluídas no projeto de Lei das Redes Digitais, que propõe licenças de quarenta anos ou por tempo indeterminado e renovações automáticas para promover a certeza jurídica, critica também o facto de o texto não simplificar verdadeiramente a carga regulamentar.

Concretamente, a GSMA critica o facto de a nova legislação não modernizar as regras de neutralidade da rede nem impor obrigações vinculativas aos grandes geradores de tráfego na Internet, de acordo com o princípio de que os mesmos serviços devem estar sujeitos às mesmas regras.

Da mesma forma, rejeita as exigências da nova Lei de Cibersegurança, argumentando que esta impõe exigências operacionais desproporcionadas e requisitos de retirada de tecnologia, o que desviaria recursos críticos necessários para a implantação de novas conectividades.

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