O teletrabalho traz felicidade

Pelo menos é o que aponta um estudo realizado durante quatro anos, já antes da pandemia, na Austrália.
26 de Junho, 2025

Uma equipa da Universidade da Austrália do Sul acompanhou vários grupos de funcionários durante quatro anos — incluindo os meses que antecederam a pandemia — e concluiu que a satisfação com a vida aumenta quando o trabalho é realizado remotamente. O projeto, iniciado antes da crise sanitária, comparou a evolução da felicidade, saúde mental e desempenho daqueles que podiam escolher onde realizar suas tarefas com aqueles que mantinham rotinas presenciais rígidas.

É importante ressaltar que a adoção voluntária do teletrabalho foi um dado vital no estudo, uma vez que aqueles que estavam dispostos a abraçar essa forma de trabalhar apresentaram índices de felicidade muito mais altos do que aqueles que foram obrigados pela gerência a trabalhar em casa.

Eliminar as deslocações diárias — algo que antes representava mais de três horas por semana para o trabalhador australiano médio — significou poder desfrutar de meia hora extra de sono todas as noites e reduzir o stress crónico. Os investigadores atribuem a melhoria ao desaparecimento das viagens casa-escritório, responsáveis pela fadiga acumulada e pela deterioração do humor.

O tempo recuperado é distribuído entre o próprio trabalho, os cuidados familiares e o lazer, favorecendo hábitos mais saudáveis, como cozinhar com produtos frescos e reduzir os alimentos processados. De acordo com o acompanhamento, quase um terço dessas horas liberadas são destinadas a atividades recreativas que ajudam a combater o sedentarismo e recarregar as energias.

Outro aspeto que melhorou nos trabalhadores com a adoção do teletrabalho é a alimentação; ao estarem em casa mais perto dos centros comerciais e terem mais tempo para cozinhar, isso traduziu-se no consumo de mais alimentos frescos (especialmente frutas, vegetais e laticínios) e menos pré-cozinhados.

Como já indiquei anteriormente, o estudo distingue entre teletrabalho escolhido e obrigatório; no primeiro caso, a concentração e a satisfação no trabalho aumentam, pois é possível adaptar horários e ambiente.

Manter a coesão das equipas exige uma gestão baseada na confiança e na comunicação aberta, mais do que no controlo presencial. As empresas que complementaram as videochamadas operacionais com espaços virtuais informais mantiveram o sentimento de pertença à organização e o apoio mútuo entre colegas de trabalho.

A principal preocupação das empresas que concedem aos seus trabalhadores a possibilidade de teletrabalhar é se eles vão cumprir os prazos estipulados para as entregas e se o seu desempenho vai diminuir. A verdade é que o estudo demonstra que a produtividade não só se manteve, como aumentou nos casos em que o teletrabalho foi uma escolha voluntária do trabalhador.

Em conjunto, a investigação convida a repensar a relação entre espaço profissional e vida pessoal: o trabalho deixa de ser um destino fixo para se tornar uma atividade adaptável e centrada no bem-estar. Para os responsáveis de TI e compras de tecnologia, estas conclusões reforçam a necessidade de infraestruturas seguras e flexíveis que permitam ao pessoal ter o máximo rendimento onde se sente melhor.

Opinião