OpenAI aproxima-se da NATO enquanto aprofunda presença na defesa norte-americana

Depois de fechar um acordo com o Pentágono para utilizar a sua tecnologia de inteligência artificial em redes classificadas, a OpenAI está agora a avaliar um novo contrato com a NATO para implementar os seus sistemas em redes não classificadas da aliança militar. A possível expansão reforça a presença da empresa no setor da defesa, num momento em que a utilização de IA em contextos militares continua a gerar debate sobre limites e responsabilidades.
4 de Março, 2026

A OpenAI está a estudar a possibilidade de fornecer a sua tecnologia de inteligência artificial à NATO, através de um contrato que prevê a utilização dos seus sistemas nas redes classificadas como “não classificadas” da aliança militar. A informação foi avançada por uma fonte familiarizada com o processo e divulgada inicialmente pelo Wall Street Journal.

A NATO, uma aliança militar composta por 32 países, não comentou de imediato a notícia quando contactada fora do horário normal de funcionamento.

A eventual parceria surge poucos dias depois de a OpenAI ter fechado um acordo com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para implementar a sua tecnologia na rede classificada do Pentágono. A decisão marca um passo relevante na aproximação da empresa ao setor da defesa, um domínio que nos últimos anos tem aumentado o investimento em inteligência artificial para análise de dados, automação e apoio à decisão.

A empresa responsável pelo ChatGPT conta com financiamento de várias tecnológicas, entre as quais a Microsoft e a Amazon, e tem vindo a reforçar a sua presença em projetos institucionais ligados à segurança e à administração pública.

O acordo com o Pentágono foi anunciado na semana passada, depois de o presidente norte-americano Donald Trump ter ordenado ao governo que deixasse de trabalhar com a Anthropic, uma empresa concorrente no desenvolvimento de modelos de IA.

A decisão surgiu após um impasse nas negociações contratuais entre o Pentágono e a Anthropic. O diretor executivo da empresa, Dario Amodei, citado pela Reuters,  tinha manifestado oposição a que os modelos da empresa fossem utilizados para vigilância doméstica em larga escala ou para alimentar sistemas de armamento totalmente autónomos.

A substituição da Anthropic abriu espaço para a OpenAI assumir o contrato, reforçando a presença da empresa num dos setores mais sensíveis para a aplicação de inteligência artificial.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos tem afirmado que não pretende utilizar inteligência artificial para vigilância massiva da população nem para desenvolver armas que operem sem intervenção humana. Ainda assim, a posição oficial do Pentágono tem sido a de permitir qualquer utilização da tecnologia que seja considerada legal.

Após o anúncio do acordo, a OpenAI atualizou a sua posição pública sobre o tema. A empresa indicou que os seus sistemas não devem ser utilizados intencionalmente para vigilância doméstica de cidadãos norte-americanos. Acrescentou também que, segundo o entendimento estabelecido com o Pentágono, os serviços de inteligência, como a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, não utilizarão estes sistemas de IA.

Segundo a Reuters, internamente, o diretor executivo da OpenAI, Sam Altman, terá reconhecido que a decisão de avançar com o acordo representou um processo complexo para a empresa e que poderá ter consequências negativas de curto prazo ao nível da perceção pública e da reputação da marca.

A possível colaboração com a NATO sugere que a OpenAI poderá vir a alargar a presença da sua tecnologia no domínio da defesa e da segurança internacional, ainda que inicialmente limitada a infraestruturas classificadas como não sensíveis.

Para os responsáveis de tecnologia nas organizações públicas e privadas, este movimento confirma uma tendência que se tem vindo a consolidar: a entrada dos grandes fornecedores de modelos de inteligência artificial em contratos institucionais ligados à segurança, defesa e análise estratégica de dados.

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