Oracle alerta para violação de dados de saúde — mas nega qualquer ataque

A gigante americana enfrenta críticas crescentes pela falta de transparência enquanto o FBI investiga o caso.
2 de Abril, 2025

A Oracle está a alertar discretamente alguns dos seus clientes para uma violação de dados que comprometeu informação sensível de saúde, mesmo enquanto continua a negar publicamente dois ataques informáticos distintos. A revelação surge após uma série de investigações que expuseram alegadas falhas de segurança nos sistemas da Oracle Health, a divisão de saúde da gigante tecnológica.

Segundo uma carta enviada a clientes afetados — revelada pelo site Bleeping Computer —, a Oracle confirma que, no final de fevereiro, detetou um acesso não autorizado a servidores antigos usados na migração de dados da Cerner, empresa de registos clínicos eletrónicos adquirida pela Oracle em 2022 por 28 mil milhões de dólares. Os servidores em causa ainda não tinham sido transferidos para a infraestrutura Oracle Cloud.

Apesar desta admissão privada, a empresa mantém publicamente o silêncio sobre este incidente — e também sobre outro alegado ataque à Oracle Cloud, noticiado na semana passada. O que levanta dúvidas sobre a postura da empresa em matéria de transparência e responsabilidade.

O caso atraiu a atenção das autoridades federais norte americanas. De acordo com a Bloomberg, o FBI está a investigar a violação da Oracle Health, bem como tentativas de extorsão feitas por hackers a várias unidades de saúde nos Estados Unidos. A extensão total da violação é ainda desconhecida, tanto em número de pacientes afetados como de instituições visadas.

Fontes próximas da investigação revelam que os atacantes terão utilizado credenciais de acesso roubadas para entrar nos sistemas — um fator que, segundo especialistas, aponta para falhas nos protocolos básicos de segurança.

Em paralelo, a empresa de cibersegurança CloudSEK expôs outro incidente, alegando que um hacker identificado como “rose87168” publicou seis milhões de registos extraídos de sistemas de autenticação da Oracle Cloud, incluindo Single Sign-On (SSO) e LDAP.

Apesar das negações da Oracle, os dados divulgados foram validados por vários clientes da empresa. O hacker chegou a demonstrar acesso em tempo real a um domínio de login da Oracle (http://login.us2.oraclecloud.com), através de um vídeo e capturas de ecrã. A Oracle terá pedido à Wayback Machine que removesse os registos desse endereço, numa tentativa de limitar o impacto da divulgação.

A CloudSEK indica que os dados comprometidos incluem ficheiros JKS, palavras-passe SSO encriptadas, ficheiros-chave e chaves internas do Enterprise Manager — elementos críticos que, se combinados, podem permitir o acesso a múltiplas camadas dos sistemas empresariais da Oracle.

A imprensa americana que segue atentamente este caso diz que nem a Oracle nem o FBI comentaram oficialmente os desenvolvimentos. Mas entre os especialistas, cresce o coro de críticas à forma como a empresa tem gerido a comunicação em torno destes incidentes.

A estratégia de minimizar o impacto e recusar-se a confirmar publicamente os ataques pode ter implicações sérias na confiança dos clientes, especialmente quando estão em causa dados de saúde — uma das categorias mais sensíveis e valiosas no mundo digital.

À medida que a investigação prossegue, a Oracle enfrenta uma pergunta difícil: será que a proteção da sua reputação está a ser colocada acima da segurança dos seus clientes?

Com informação Computerworld

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