Pagamentos imediatos entre particulares ganha força em Portugal

Os pagamentos imediatos entre particulares continuam a ganhar espaço em Portugal e já superaram o numerário. Um relatório recente da Nuek analisa a evolução destes meios de pagamento, a sua adoção no dia a dia e a aproximação entre transferências nacionais e remessas internacionais.
18 de Dezembro, 2025

Portugal está a atravessar uma mudança clara na forma como as pessoas trocam dinheiro entre si. De acordo com o Relatório 2025 “Digitalização dos fluxos de pagamentos entre particulares”, divulgado pela Nuek, 45% da população bancarizada em Portugal utiliza soluções de pagamentos imediatos P2P, como o MBWay. O numerário passa para segundo plano, sendo usado por 41% dos utilizadores, um dado que assinala uma inversão de hábitos face aos anos anteriores.

O estudo, centrado nos fluxos de pagamentos nacionais e internacionais, indica que os sistemas de pagamento entre pessoas no mesmo país continuam a ser os mais utilizados, em linha com dados do Banco Mundial. Esta realidade é mais visível em países que lançaram cedo soluções de transferências imediatas com o envolvimento do setor financeiro e das autoridades monetárias, entre os quais se incluem Portugal, Espanha e Brasil.

A utilização de transferências imediatas em Portugal estende-se a outros contextos. Nos pagamentos online, mais de 30% dos utilizadores bancários opta por transferências imediatas em vez de outros meios. Já nos pagamentos presenciais, Portugal é o único país europeu onde este tipo de transferências é preferido ao dinheiro, refletindo uma mudança prática no momento de pagar.

O relatório aponta que os pagamentos entre particulares deixaram de ser uma experiência limitada e entraram numa fase de crescimento e maior integração funcional. Os utilizadores avaliam cada vez menos os serviços em função do banco e mais pela experiência de utilização, comparando-a com a de outras aplicações móveis. Esperam operações rápidas, simples e com informação clara sobre custos, independentemente de estarem a pagar dentro ou fora do país.

Essa expectativa começa a refletir-se no interesse por transferências internacionais. Em Portugal, 62% dos inquiridos considera atrativa a possibilidade de usar soluções P2P para pagamentos entre diferentes países e afirma que as utilizaria. Este valor contrasta com o observado no Reino Unido, onde apenas 8% dos utilizadores manifesta o mesmo interesse. Neste contexto, Portugal integra já a aliança MBWay–Bizum–BancomatPay, que permite pagamentos imediatos entre Portugal, Espanha e Itália, em conformidade com o Regulamento Europeu de Pagamentos Imediatos de 2024, que define transferências concluídas em menos de 10 segundos.

No domínio das remessas internacionais, o estudo identifica o custo como o principal fator limitador quando comparado com os pagamentos P2P nacionais. O envio de uma remessa de 200 dólares apresenta um custo médio superior a 5% na América Latina, percentagem que atinge cerca de 7,5% na Europa e na Ásia Central.

Apesar disso, o recurso a canais digitais está a aumentar. Em Portugal, 31% da população bancarizada utiliza serviços de remessas, um valor que cresceu 10 pontos percentuais no último ano. A passagem do canal físico para o digital permite reduzir os custos em cerca de 2,6 dólares por cada 200 dólares enviados, sobretudo devido a comissões mais baixas.

O relatório conclui que as diferenças entre pagamentos P2P nacionais e remessas internacionais estão a diminuir. Os utilizadores procuram soluções únicas que sirvam tanto para transferências locais como para o envio de dinheiro para o estrangeiro, mantendo níveis semelhantes de rapidez, controlo de custos e acompanhamento da operação. É nesta convergência que se concentra a próxima etapa de evolução dos serviços de pagamento.

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