Ao longo de 2025, o Grupo Pepco avançou com uma simplificação profunda do seu modelo de negócio. A venda da Poundland, concretizada em junho, e a saída total da marca Pepco do setor de bens de consumo rápido marcaram um reposicionamento estratégico claro. O Grupo passou a concentrar-se exclusivamente em moda e decoração em geral, áreas com margens mais elevadas, reduzindo a complexidade operacional.
Segundo a administração, esta mudança permitiu criar uma organização mais ágil e preparada para responder à evolução das preferências dos consumidores em diferentes mercados europeus. A estratégia, definida em março de 2025, foi executada num curto espaço de tempo, com impacto direto na estrutura e nos resultados. O CEO do Grupo, Stephan Borchert, considera que os resultados obtidos validam a decisão de focar a operação apenas nas categorias nucleares da marca.
No ano fiscal de 2025, a receita do Grupo aumentou 8,7%, atingindo 4,5 mil milhões de euros, apoiada pelo regresso ao crescimento das vendas comparáveis, que avançaram 2,6%, e pela contínua abertura de novas lojas. O EBITDA subjacente, de acordo com a norma IFRS 16, cresceu 10,3%, para 865 milhões de euros.
A margem bruta subiu 100 pontos base face ao ano anterior, fixando-se nos 48,0%, resultado atribuído à maior eficiência operacional e à eliminação das categorias de bens de grande consumo, tradicionalmente menos rentáveis. Este desempenho traduziu-se também num aumento expressivo do lucro líquido subjacente, que cresceu 19,7% para 219 milhões de euros.
O Grupo registou ainda um cash flow de 334 milhões de euros, reforçando a posição de balanço. Durante o exercício, a dívida foi refinanciada, com prazos de vencimento mais longos e custos médios de juros mais baixos, aumentando a flexibilidade financeira da organização.
Expansão europeia com Portugal no mapa
Paralelamente ao desempenho financeiro, o Grupo manteve uma estratégia de crescimento físico. Em 2025 foram abertas 247 novas lojas, terminando o ano com um total de 4359 espaços em funcionamento na Europa. A expansão incidiu sobretudo em mercados de elevado retorno na Europa Central e Oriental, bem como em países da Europa Ocidental considerados estratégicos.
Portugal integra este plano. A marca Pepco opera atualmente 23 lojas em Portugal Continental, um número que reflete a relevância do mercado nacional no contexto ibérico e europeu. Para Jorge Barrie Ruiz, responsável regional da Pepco na Península Ibérica, a dimensão da rede é um fator-chave para sustentar o crescimento a longo prazo.
A criação de valor a longo prazo continua a ser um dos pilares da estratégia do Grupo. Durante 2025, a Pepco acelerou a sua transformação digital, preparando o lançamento de um novo website, uma aplicação móvel e um programa de fidelização, previstos para o primeiro trimestre de 2026. Estes projetos assentam em investimentos em dados, sistemas e cadeia de abastecimento, com impacto direto na eficiência operacional e na experiência do cliente.
No plano social, o Grupo manteve o investimento no programa Future at Heart. Anualmente, são aplicados mais de 3 milhões de euros em iniciativas de educação infantil, beneficiando mais de 90 mil crianças através de parcerias com mais de 50 organizações não governamentais nos vários mercados onde opera.
Olhando para o próximo exercício, o Grupo Pepco mantém confiança na sua estratégia e nas perspectivas de crescimento. Para o ano fiscal de 2026, está prevista a abertura de cerca de 250 novas lojas, maioritariamente na Europa Central e Oriental, sem deixar de acelerar a presença em mercados da Europa Ocidental, incluindo a Península Ibérica e Itália.







