Portugal cresce na Inteligência Artificial mas perde competitividade global

O país voltou a subir na adoção de Inteligência Artificial no início de 2026, mas a evolução continua abaixo do ritmo registado nas economias mais avançadas. Os novos dados do AI Diffusion Report da Microsoft revelam um mercado global cada vez mais polarizado.
11 de Maio, 2026

O Instituto da Economia da IA da Microsoft publicou a atualização do AI Diffusion Report relativa ao primeiro trimestre de 2026, um estudo que acompanha a disseminação da Inteligência Artificial em 147 economias, analisando níveis de adoção, maturidade tecnológica, impacto organizacional e tendências de utilização em diferentes setores de atividade.

Em Portugal, a taxa de adoção de IA entre a população em idade ativa subiu de 24,2% no segundo semestre de 2025 para 26,4% no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 2,2 pontos percentuais. A evolução mantém uma trajetória positiva, mas insuficiente para acompanhar o ritmo de aceleração observado em vários mercados internacionais.

Apesar do crescimento registado, Portugal desceu para a 20.ª posição no ranking europeu e para o 36.º lugar a nível mundial, sinalizando uma perda relativa de competitividade tecnológica. O movimento reflete sobretudo a velocidade de execução de outras economias, num contexto em que a adoção de IA deixou de ser apenas um indicador de inovação e passou a funcionar como métrica de capacidade operacional e produtividade.

A nível global, a adoção média de IA aumentou de 16,3% para 17,8% no espaço de poucos meses. O relatório identifica, contudo, uma expansão estruturalmente desigual, fortemente condicionada pela disponibilidade de infraestruturas digitais, capacidade computacional, acesso a conectividade e qualificação técnica da força de trabalho.

O diferencial entre o Norte Global e o Sul Global continua a aprofundar-se, evidenciando que a adoção de IA depende cada vez mais de fatores estruturais e não apenas de disponibilidade tecnológica. No primeiro trimestre de 2026, os países do Norte Global atingiram uma taxa média de adoção de 27,5%, acima dos 24,7% registados no período anterior. Já o Sul Global avançou de 14,1% para 15,4%, mantendo um desfasamento significativo.

O relatório destaca igualmente uma alteração relevante na distribuição geográfica da inovação em IA. Pela primeira vez, dez economias ultrapassaram os 40% de adoção, entre as 147 analisadas. Os Emirados Árabes Unidos lideram com 70,1%, seguidos por Singapura, com 63,4%, enquanto Noruega e Irlanda registam 48,6% e 48,4%, respetivamente.

Os Emirados Árabes Unidos tornam-se o primeiro mercado a superar os 70% de adoção de IA, demonstrando o impacto de estratégias nacionais focadas em investimento intensivo em infraestrutura, políticas de capacitação e integração transversal da tecnologia na economia.

A Ásia surge como o principal motor de crescimento nesta fase de expansão. Segundo o estudo, doze das quinze economias com maior aceleração desde junho de 2025 pertencem à região asiática, todas com um aumento superior a 25% no número de utilizadores de IA.

O documento aponta ainda para uma mudança estrutural no desenvolvimento de software, uma das áreas onde a adoção de IA apresenta maior maturidade operacional. A utilização de modelos de IA está a expandir-se ao longo de todo o ciclo de desenvolvimento aplicacional, desde a geração de código à automatização de testes, documentação e colaboração entre equipas.

O crescimento da atividade em plataformas como o GitHub é identificado como um indicador da integração crescente da IA nos processos de engenharia de software e na automatização de fluxos de desenvolvimento. Segundo o relatório, esta evolução está associada a ganhos de produtividade, aceleração de ciclos de entrega e maior eficiência operacional nas equipas técnicas.

Opinião