Barcelona recebe esta semana mais uma edição do 4YFN (4 Years From Now), o evento dedicado a startups integrado no Mobile World Congress. A iniciativa tornou-se um dos principais pontos de encontro entre empreendedores, investidores e grandes empresas tecnológicas, funcionando como uma plataforma para projetos emergentes procurarem capital, clientes e novos mercados.
Portugal volta a marcar presença com uma delegação organizada pela Startup Portugal, que trouxe 30 startups nacionais ao evento através do programa Business Abroad. As empresas presentes atuam sobretudo nas áreas de enterprise software, healthcare & wellness e greentech. No conjunto, empregam mais de 300 pessoas e já captaram cerca de 30 milhões de euros em investimento.
À margem do evento, conversámos com Pedro Sacramento, Head of Operations & Internationalization, na Startup Portugal, sobre os objetivos da presença portuguesa no 4YFN, o papel da internacionalização no crescimento das startups e a dinâmica atual do investimento no setor tecnológico.
O 4YFN tem-se afirmado como um espaço importante para startups. O que traz a Startup Portugal a este evento?
A nossa presença enquadra-se num programa mais vasto da Startup Portugal, chamado Business Abroad. Esse programa tem precisamente o objetivo de apoiar as startups nos seus processos de expansão, crescimento e internacionalização.
Todos sabemos que Portugal é um bom mercado para desenvolver e testar produto, mas quando as empresas querem crescer têm inevitavelmente de procurar novos mercados. Estes eventos são importantes porque permitem aproximar as startups desses mercados e, ao mesmo tempo, colocá-las em contacto com vários stakeholders internacionais.
Como funciona o programa Business Abroad?
O programa começou em 2021 e foi criado para apoiar startups portuguesas na participação em alguns dos principais eventos tecnológicos internacionais.
Começámos por trabalhar sobretudo o mercado espanhol, por exemplo com presença no South Summit em Madrid. Antes de trazer startups para estes eventos fazemos sempre um trabalho de validação. Visitamos os eventos, avaliamos o impacto e percebemos se fazem sentido para o nosso ecossistema.
No caso do 4YFN, decidimos incluir este evento no calendário a partir de 2024. Essa decisão resultou também do feedback que recolhemos das próprias startups.
Todos os anos fazemos um survey ao ecossistema e perguntamos às empresas quais são as conferências tecnológicas que têm no radar e que consideram mais relevantes. O 4YFN aparece frequentemente destacado nessas respostas.
Quantas startups portuguesas estão presentes nesta edição?
A delegação portuguesa inclui 30 startups, embora apenas dez estejam a expor diretamente aqui no espaço da feira.
Este modelo é o chamado Startup Corner, promovido pela própria organização do evento. Permite que dez startups tenham um espaço de exposição e que também possamos apresentar a Startup Portugal e algumas das iniciativas que desenvolvemos.
Mas apoiamos mais startups do que aquelas que estão a expor. Mesmo quando não têm stand, procuramos garantir que conseguem estar presentes no evento e participar nas atividades que organizamos.
Que tipo de atividades estão a promover para além da exposição?
Organizamos várias iniciativas de matchmaking, tanto com investidores como com outras startups e parceiros internacionais.
Também promovemos eventos paralelos. Por exemplo, temos um encontro com investidores portugueses e espanhóis, bem como com entidades de apoio ao empreendedorismo em Espanha e na Catalunha.
Este tipo de iniciativas é importante porque permite alargar o contacto das startups a outros stakeholders que nem sempre estão representados diretamente na feira.
Espanha continua a ser um mercado prioritário para startups portuguesas?
Sim, claramente. Espanha é muitas vezes um primeiro passo natural de expansão internacional para muitas startups portuguesas.
Durante o evento reunimos com entidades como a ACCIÓ, que é a agência de comércio e investimento do Governo da Catalunha, e também com o ICEX, a entidade espanhola responsável pela internacionalização das empresas.
Estas organizações ajudam as startups a perceber melhor o mercado, a abrir empresa ou escritório em Espanha e a evitar alguns erros que podem comprometer o sucesso da entrada num novo país.
Há cada vez mais interesse internacional pelo ecossistema português?
Sim, felizmente temos visto uma atenção crescente sobre Portugal.
Eventos como o Web Summit, têm tido um papel muito importante nesse reconhecimento internacional. Ao longo do ano vamos mantendo contacto com muitas das entidades que conhecemos durante o Web Summit.
Também temos a SIM Conference, que organizamos no Porto, e que tem atraído investidores e representantes de vários ecossistemas internacionais.
Tudo isto ajuda a posicionar Portugal como um espaço interessante para criar e desenvolver startups.
O 4YFN é conhecido por atrair muitos investidores. É esse também o objetivo das startups portuguesas presentes?
Nem todas estão aqui à procura de investimento.
Das dez startups que estão a expor neste espaço, duas indicaram que não procuram investimento neste momento. O objetivo delas passa sobretudo por encontrar clientes, parceiros comerciais ou abrir mercado.
As restantes manifestaram interesse em contactar com investidores. Nesse caso, o próprio evento tem um sistema de matchmaking que liga startups a investidores interessados nas áreas em que trabalham.
Além disso, muitas startups fazem um trabalho prévio importante. Usam a aplicação do evento, o LinkedIn e outros canais para identificar investidores e marcar reuniões antes mesmo de chegar ao evento.
A Startup Portugal também promove encontros próprios entre startups e investidores?
Sim, procuramos criar essas oportunidades.
Hoje, por exemplo, temos um evento de networking que vai juntar fundos portugueses, investidores internacionais e startups. É um encontro informal, mas muito importante.
Funciona em duas dimensões: os investidores conhecem outros investidores e criam parcerias, e as startups têm acesso direto a esse ecossistema.
Também contamos com o apoio da AICEP, através da delegação de Barcelona, que mobiliza investidores locais e parceiros que não estão necessariamente presentes no 4YFN.
Que balanço faz destes primeiros dias da presença portuguesa neste evento?
Ainda estamos nos primeiros dias, mas a perceção é positiva.
Há curiosidade sobre o ecossistema português, há interesse em conhecer as startups e há também vontade de criar parcerias.
O nosso objetivo é ajudar as startups portuguesas a tirar o máximo partido destas oportunidades internacionais e, ao mesmo tempo, continuar a promover Portugal como um lugar atrativo para inovar e criar empresas tecnológicas.






