A atividade cibercriminosa voltou a acelerar em abril, depois da desaceleração observada em março, segundo os dados mais recentes da Check Point Research, unidade de inteligência da Check Point Software Technologies. A nível global, as organizações sofreram em média 2201 ciberataques por semana, o que representa uma subida de 10% face ao mês anterior e de 8% em comparação com o mesmo período de 2025.
Portugal registou uma média de 2437 ataques semanais por organização, um crescimento homólogo de 11%, superando tanto a média europeia como a média global. De acordo com os dados divulgados, as organizações portuguesas enfrentaram cerca de 32% mais ataques do que a média europeia, fixada em 1848 ataques semanais.
O relatório aponta para uma crescente capacidade de adaptação dos atacantes, que continuam a explorar ambientes cloud, automação e a utilização alargada de ferramentas de inteligência artificial generativa. A Check Point considera que a breve moderação observada em março foi apenas temporária e que os grupos criminosos mantêm uma atividade elevada, ajustando alvos e métodos de ataque em vez de reduzirem operações.
A utilização empresarial de ferramentas de IA generativa surge como um dos principais factores de risco identificados em abril. Segundo a análise da empresa, um em cada 28 prompts submetidos a plataformas de IA a partir de ambientes corporativos apresentava risco elevado de fuga de informação sensível, afetando 90% das organizações que recorrem regularmente a estas ferramentas.
Os dados mostram também que 19% dos prompts continham informação potencialmente sensível, numa altura em que as organizações utilizam em média dez ferramentas diferentes de IA generativa. O utilizador empresarial típico terá gerado 77 prompts por mês.
A Check Point considera que o risco associado à IA está a deslocar-se da simples frequência de ataques para o impacto potencial da exposição de dados através de interações quotidianas que escapam frequentemente à visibilidade tradicional das equipas de segurança.
No plano global, o sector da Educação voltou a surgir como o mais atacado, com uma média de 4946 ataques semanais por organização. Seguem-se a Administração Pública, com 2797 ataques, e o sector das Telecomunicações, com 2728 ataques semanais. A empresa associa esta pressão ao elevado volume de utilizadores, à dispersão das infraestruturas digitais e à dependência crescente de serviços críticos e integrações externas.
Em Portugal, o padrão acompanha parcialmente a tendência internacional, mas com particular incidência sobre sectores considerados críticos. Educação, Administração Pública e Serviços Financeiros lideraram o ranking dos sectores mais visados no mercado português durante abril. Telecomunicações, Serviços Empresariais, Bens e Serviços de Consumo e Indústria Transformadora completam a lista dos sectores mais pressionados.
Segundo a análise divulgada, estes sectores concentram grandes volumes de dados pessoais, infraestruturas críticas e operações essenciais, tornando-se alvos preferenciais para campanhas de disrupção e roubo de informação.
O ransomware manteve igualmente uma presença significativa durante o mês. Foram divulgados publicamente 707 ataques deste tipo em abril, um aumento de 5% face a março e de 12% em termos homólogos.
Os Serviços Empresariais concentraram 33,8% dos incidentes de ransomware reportados, seguidos pelos sectores de Bens e Serviços de Consumo e pela Indústria Transformadora. A pressão sobre estas áreas está associada ao impacto financeiro imediato provocado pela interrupção operacional e pela exposição de dados.
A América do Norte concentrou 46% dos ataques de ransomware divulgados, seguida da Europa, com 27%, e da região Ásia-Pacífico, com 17%. Os Estados Unidos foram o país mais afetado, representando 41,6% dos incidentes reportados.
O relatório indica ainda que o ecossistema de ransomware continua concentrado em alguns operadores de grande dimensão, embora o número total de grupos ativos permaneça elevado. O grupo Qilin foi responsável por 15% dos ataques publicados em abril, seguido de The Gentlemen e DragonForce. No total, 56 grupos diferentes impactaram organizações em todo o mundo durante o mês.
Para o mercado português, a Check Point identifica três prioridades imediatas. A primeira passa pelo reforço da prevenção e da capacidade de bloquear ameaças antes do impacto operacional. A segunda centra-se na governação da inteligência artificial generativa e na proteção de dados empresariais. A terceira prende-se com a redução da exposição operacional através da revisão de acessos, integrações externas, segmentação de redes e planos de continuidade de negócio.
A empresa considera que a combinação entre ransomware, cloud e utilização crescente de IA generativa está a aumentar a superfície de ataque das organizações portuguesas, num momento em que a transformação digital acelera em vários sectores da economia.







