Portugal ocupa agora o quarto lugar mundial no Índice de Conetividade à Internet da Saily, aplicação de eSIM para viagens, num ranking liderado pela Estónia, seguida pela Lituânia e pela Dinamarca. A França surge imediatamente atrás de Portugal, num índice que, pelo segundo ano consecutivo, avaliou 97 países em quatro dimensões principais, cibersegurança, qualidade da Internet, acessibilidade económica e liberdade online.
A subida de Portugal do 9.º para o 4.º lugar coloca o país entre os mercados com melhor desempenho digital a nível global. Mais do que uma melhoria estatística, esta evolução reforça a ideia de que a conectividade deixou de ser apenas uma condição técnica e passou a ser um fator de competitividade económica, mobilidade profissional e atratividade internacional.
O desempenho português é particularmente relevante na qualidade da Internet, indicador em que o país surge na 8.ª posição mundial. Na cibersegurança, Portugal ocupa o 20.º lugar, enquanto na liberdade da Internet fica em 18.º. O ponto menos favorável continua a ser a acessibilidade económica, onde o país aparece apenas na 46.ª posição.
Esta diferença entre qualidade e preço merece atenção. Para empresas, decisores tecnológicos e equipas responsáveis por infraestruturas digitais, a mensagem é clara. Portugal apresenta condições sólidas para suportar modelos de trabalho híbrido, serviços digitais, operações distribuídas e uma utilização intensiva da Internet. Mas a competitividade da conectividade não depende apenas da velocidade ou da estabilidade das redes. Depende também da capacidade de manter custos equilibrados para cidadãos, empresas e profissionais que dependem diariamente do acesso online.
O resultado português combina boa qualidade de rede, níveis relevantes de segurança e liberdade online, mas revela margem de melhoria no custo de acesso. Esta é talvez a leitura mais importante para o mercado nacional. O país está bem posicionado, mas não deve confundir presença no topo do ranking com ausência de desafios.
A Europa domina amplamente a classificação global. Treze dos quinze países com melhor conectividade são europeus, o que confirma o peso do continente na consolidação de infraestruturas digitais abertas, seguras e relativamente estáveis. A Estónia, a Lituânia e a Dinamarca ocupam os três primeiros lugares, refletindo modelos digitais consistentes, com forte maturidade tecnológica e políticas públicas orientadas para a digitalização.
Abaixo do pódio, o ranking é dominado por países da Europa Ocidental e do Norte, incluindo França, Países Baixos, Áustria, Luxemburgo, Finlândia, Alemanha e Reino Unido. Neste contexto, a posição de Portugal ganha especial relevância, porque coloca o país num grupo onde a conectividade é cada vez mais vista como infraestrutura crítica para a economia.
Num mercado europeu cada vez mais dependente de dados, cloud, colaboração remota e serviços digitais, a qualidade da Internet tornou-se uma variável estratégica. Para os CIO e responsáveis de tecnologia, este tipo de indicador não deve ser lido apenas como uma curiosidade estatística. Deve ser entendido como mais uma peça na avaliação da capacidade de um país para acolher investimento, escalar operações digitais e suportar modelos de trabalho mais flexíveis.
O ranking inclui também algumas alterações significativas. A Moldávia surge como uma das maiores surpresas, ao passar de uma posição fora do top 60 para o 8.º lugar mundial, impulsionada por uma melhoria expressiva no indicador de liberdade da Internet. O Chile fecha o top 15 e é o único representante da América Latina nas primeiras posições, com um desempenho que se aproxima dos padrões europeus.
A leitura para Portugal é dupla. Por um lado, o país beneficia de uma base digital que o coloca entre os mercados mais bem classificados do mundo. Por outro, a evolução rápida de outros países mostra que a posição no ranking não é permanente. A conectividade é uma vantagem apenas enquanto continuar a ser acompanhada por investimento, regulação adequada, segurança e acessibilidade.
O índice da Saily tem também uma leitura prática para quem viaja ou trabalha fora do seu país de origem. A conectividade passou a fazer parte do planeamento de qualquer deslocação. Perder um voo, precisar de aceder a serviços de saúde, consultar documentos, contactar a empresa ou resolver uma operação bancária são situações que dependem cada vez mais do telemóvel e de uma ligação fiável.
Neste plano, a segurança continua a ser um ponto essencial. A utilização de redes Wi-Fi públicas deve ser feita com cautela, sobretudo em hotéis, aeroportos e outros espaços de grande circulação. O acesso a serviços bancários ou a contas sensíveis deve privilegiar os dados móveis, por serem uma opção menos exposta do que algumas redes abertas. O uso de eSIM pode também reduzir custos face ao roaming tradicional, desde que contratado através de operadores oficiais ou aplicações reconhecidas.
Para viajantes, trabalhadores remotos e profissionais em mobilidade, a qualidade da ligação deixou de ser conveniência e passou a ser uma condição operacional. Esta realidade explica a importância crescente de rankings que avaliam não apenas a velocidade, mas também a segurança, a liberdade de acesso e o custo.
Portugal sai bem posicionado deste retrato. A entrada no top cinco mundial reforça a perceção de que o país dispõe de uma base digital competitiva, aberta e suficientemente robusta para responder a muitas das exigências atuais. Mas a posição 46 na acessibilidade económica lembra que a maturidade digital não se mede apenas pela capacidade técnica. Mede-se também pela facilidade com que essa capacidade chega, de forma sustentável, a quem dela depende.







