Portugal traça rota estratégica na nova globalização digital no DES 2025 em Málaga

Málaga esta a acolher o DES 2025, um dos maiores fóruns mundiais sobre transformação digital, onde Portugal, pela voz da ACEPI, se posiciona como protagonista na nova era da globalização tecnológica, ancorada em dados, inteligência artificial e infraestruturas digitais.
11 de Junho, 2025
César Tello, Director Geral da ADigital - Associação Espanhola da Economia Digital; Patrycja Sass-Staniszewska, Presidente da Associação Polaca da Economia Digital; Roberto Liscia, Presidente of Netcomn , Associação Italiana de Comércio Eletrónico; Alexandre Nilo Fonseca, Presidente da ACEPI

Numa altura em que o mundo empresarial acelera a digitalização dos seus modelos operacionais, a cidade andaluza de Málaga acolhe, entre os dias 10 e 12 de junho, o Digital Enterprise Show 2025 (DES2025) — uma das maiores cimeiras globais sobre transformação digital e inovação tecnológica. O evento reúne mais de 17.000 executivos e 500 especialistas internacionais, servindo de palco para um diálogo transversal sobre o impacto da inteligência artificial, os desafios da cibersegurança e os avanços na computação quântica.

O dia inaugural do DES 2025 coincidiu com o Dia de Portugal, oferecendo a Alexandre Nilo Fonseca, presidente da ACEPI – Associação da Economia Digital, uma oportunidade estratégica para posicionar o país como protagonista num novo ciclo de globalização — desta vez digital.

“No século XXI, as pessoas, a inteligência artificial, os centros de dados e os cabos submarinos são os navios, as tripulações e os instrumentos de uma nova globalização digital, tal como as caravelas foram na Era dos Descobrimentos”, afirmou Alexandre Nilo Fonseca. “Os novos exploradores globais são os dados, a inteligência artificial e as pessoas — navegando por cabos de fibra ótica em vez de oceanos, e atracando em centros de dados em vez de portos.”

A metáfora não é apenas poética. Portugal tem reforçado a sua infraestrutura digital com investimentos em cabos submarinos, como o Equiano (da Google) e o EllaLink, e na instalação de centros de dados estratégicos — posicionando-se como porta de entrada tecnológica entre continentes.

A Europa discute o futuro digital

No centro do Digital Business World Congress, um dos pilares do DES2025, estão discussões críticas para o tecido empresarial europeu: desde a transformação dos modelos produtivos por via da inteligência artificial, até à urgência de uma abordagem ética e regulada ao desenvolvimento tecnológico.

Entre os oradores de destaque constam Margaret Mitchell, cofundadora do departamento de Ética em IA da Google e atual diretora da Hugging Face; Jo De Boeck, estratega-chefe do centro de inovação belga IMEC; e Richard Benjamins, CEO da OdiseIA — entidade que se dedica à análise ética do uso da inteligência artificial em contexto empresarial e social.

O DES2025 reflete um ambiente em que as fronteiras entre inovação e risco são cada vez mais ténues. A cibersegurança mantém-se como uma das maiores preocupações globais, impulsionada pela crescente complexidade dos ecossistemas digitais e pela vulnerabilidade de infraestruturas críticas. Em paralelo, a computação quântica, ainda numa fase emergente, é debatida como promessa e desafio, com especialistas a discutir tanto o seu potencial disruptivo como os riscos associados à criptografia tradicional.

Um Portugal mais digital e mais estratégico

A presença de Portugal no evento — através da ACEPI e de múltiplas entidades privadas — reforça a ambição nacional de afirmar-se como hub digital no Atlântico, valorizando simultaneamente a sua posição geográfica e a capacidade técnica da sua nova geração de talentos digitais.

Com uma economia cada vez mais orientada para os serviços, mas com ligações crescentes às cadeias globais de tecnologia e inovação, Portugal surge neste DES2025 não como espetador, mas como cartógrafo de uma nova era — em que os mapas são desenhados por algoritmos e os portos são definidos por data centers.

A nova globalização navega por fios de fibra. E Portugal está a bordo.

Opinião