Portugueses aderem mais à Inteligência Artificial, mas formação e impacto ainda geram incertezas

Um estudo recente da Boston Consulting Group (BCG) revela que a utilização de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) em Portugal tem vindo a crescer de forma notável, mas desafios relacionados com formação e perceção de impacto permanecem.
19 de Dezembro, 2024
Imagem gerada por IA

Segundo o Consumer Sentiment Survey 2024, 52% dos portugueses utilizam ferramentas de IA pelo menos uma vez por mês, um aumento de 9 pontos percentuais (pp.) face ao ano anterior. Contudo, apenas 4% reportam poupar mais de 5 horas semanais com estas tecnologias.

O aumento do uso regular de IA é mais pronunciado entre os jovens de 18 a 24 anos, com 64% a utilizarem estas ferramentas mensalmente. Por outro lado, apenas 29% dos maiores de 64 anos recorrem à IA, o que sublinha um fosso geracional no acesso e adoção de novas tecnologias.

Apesar do crescimento no uso regular, ainda há uma parcela significativa da população a explorar estas ferramentas de forma pontual. Cerca de 26% dos inquiridos já experimentaram IA mas não a utilizam frequentemente, enquanto 22% nunca usaram, um número que diminuiu 16 pp. face a 2023.

Impacto percebido da IA em declínio

Curiosamente, a perceção sobre o impacto futuro da IA nas vidas dos portugueses caiu. Apenas 20% acredita que esta tecnologia terá um impacto significativo, uma descida de 13 pp. em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, mais pessoas esperam um impacto moderado (38%, +10 pp.) ou mínimo (16%). A apreensão em relação ao futuro é reforçada pela divisão quanto ao impacto nos empregos: 44% dos inquiridos acreditam que a IA não substituirá as suas funções, mas 48% prevêem alguma redução de carga horária.

Formação: um entrave à adoção plena

O estudo aponta a necessidade urgente de formação como um fator chave para aproveitar o potencial da IA. Sete em cada dez portugueses (72%) afirmam precisar de mais competências para incorporar IA no trabalho, enquanto apenas 17% receberam formação específica na área. Esta lacuna contrasta com outros países europeus, onde mais de metade dos trabalhadores já integram IA nas suas rotinas semanais.

Pedro Pereira, Managing Director da BCG em Lisboa, reforça a necessidade de ação: “É essencial que as lideranças nas empresas portuguesas promovam a experimentação e integrem a IA nos processos de trabalho, demonstrando os benefícios tangíveis desta tecnologia.”

Recomendações para o futuro

Um relatório adicional da BCG, intitulado “Five Must-Haves for Effective AI Upskilling”, destaca estratégias para as empresas prepararem as suas equipas para o futuro da IA. Entre as recomendações estão: avaliar necessidades específicas de formação, sensibilizar colaboradores para os benefícios da tecnologia e priorizar o apoio da liderança na adoção de IA.

Com a utilização de IA a crescer, mas com barreiras significativas ainda por superar, o caminho para uma maior integração depende da combinação de acesso, formação e uma mudança cultural que promova a confiança na tecnologia. Se bem gerida, a IA poderá não só melhorar a produtividade como também posicionar as empresas portuguesas na vanguarda da transformação digital.

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