A Schneider Electric registou um crescimento orgânico de 9% nas receitas do terceiro trimestre, atingindo os 9,72 mil milhões de euros. Este desempenho ficou acima da estimativa média dos analistas, que apontava para uma subida de 8,4%. O principal motor deste resultado foi a forte procura no setor dos centros de dados, alimentada pela adoção acelerada da inteligência artificial e de serviços na cloud.
As vendas no mercado de centros de dados e redes aumentaram a dois dígitos, lideradas pelos clientes dos Estados Unidos. A empresa francesa beneficiou também de contribuições sólidas da China e de França. No entanto, a disponibilidade limitada de energia na rede elétrica em vários países europeus continua a ser um entrave ao crescimento do setor noutras geografias do continente.
A aposta estratégica da Schneider no setor foi reforçada com a aquisição da Motivair, empresa norte-americana especializada em sistemas de refrigeração para data centers, concluída em fevereiro. Esta aquisição permitiu à Schneider ampliar a sua oferta de infraestrutura crítica — como equipamentos de alimentação elétrica, refrigeração e racks de servidores — que são fundamentais para garantir o funcionamento contínuo de serviços baseados em IA e cloud computing.
Historicamente associada à produção de componentes industriais, como fusíveis e disjuntores, a Schneider Electric tem vindo a reposicionar-se como fornecedor central de infraestruturas para data centers. Este reposicionamento é impulsionado pela crescente procura de soluções de elevada eficiência energética e fiabilidade, exigidas pelas novas cargas computacionais do setor tecnológico.
Apesar de dificuldades operacionais na Europa, a execução de projetos de centros de dados tem vindo a melhorar em França, segundo adiantou a diretora financeira da empresa, Hilary Maxson, citado pela Reuters, Maxson afirmou ainda que espera que o setor de centros de dados represente mais de 24% das receitas do grupo já no próximo ano, refletindo o ritmo de crescimento acelerado desta área.
Face ao impacto das tarifas de importação impostas pelos EUA durante a administração Trump, a empresa respondeu com o reforço da sua cadeia de fornecimento e anunciou planos para investir mais de 700 milhões de dólares nos EUA até 2027. Parte dessa estratégia incluiu o ajustamento dos preços praticados, contribuindo também para sustentar as margens de rentabilidade.
Apesar do desempenho positivo no trimestre, a empresa manteve as suas previsões anuais de crescimento de receitas e margens operacionais, alertando que deverão situar-se na metade inferior das faixas previamente comunicadas ao mercado.







