O Linux é um grande desconhecido para o público final em sistemas informáticos de secretária (até agora, e apesar do que se tem falado dele como alternativa ao Windows 10 desde que foi anunciado o fim do suporte para este sistema no próximo mês de outubro), mas muito utilizado em sistemas servidores, incorporados e profissionais. E é precisamente a pensar neste público profissional que Cong Wang, programador do kernel (núcleo) do sistema operativo do pinguim e que tem feito contribuições especialmente na área da conectividade, propôs adicionar suporte para a execução multinúcleo no Linux.
Basicamente, o que Wang propõe é que uma mesma instalação do Linux possa executar vários núcleos do sistema em paralelo, cada um deles em um dos núcleos da CPU (atualmente, qualquer processador de computador de secretária tem mais de dois núcleos), e que eles possam se comunicar entre si e compartilhar recursos.
Esta proposta responde a múltiplos objetivos: por um lado, temos a capacidade de melhorar o isolamento de falhas entre diferentes cargas de trabalho, uma vez que, quando uma tarefa que afeta o núcleo falha, isso só afetará aquele em que está a ser executada, e não os restantes. Também melhora a segurança global do sistema ao separar as cargas de trabalho ao nível do núcleo e a gestão das atualizações (que, aliás, é um sistema semelhante ao utilizado pelo Android para a administração das mesmas).
Além disso, um aspeto que as organizações irão apreciar é que otimiza o desempenho e a utilização de recursos na execução de vários sistemas em paralelo, melhor do que uma solução de virtualização, mesmo as chamadas bare metal.
Outra das funcionalidades que esta capacidade multinúcleo poderia proporcionar é a execução de núcleos preparados para tarefas específicas, como o trabalho com inteligência artificial, em tempo real, ou para comunicações.
Na proposta de Wang encontram-se mais detalhes técnicos sobre a forma como os núcleos se comunicariam entre si e como esta proposta poderia ser implementada, sob a forma de um patch que introduziria a compatibilidade básica com a execução simultânea de vários núcleos em paralelo e forneceria os elementos para facilitar a comunicação entre eles.
A sua implementação manteria total compatibilidade com versões anteriores da implementação do mecanismo kexec, que permite carregar e executar outro núcleo Linux sem ter de reiniciar todo o computador, e que é o que modifica para poder utilizar a presente proposta.
Tudo isto não passa de uma proposta que foi apresentada via RFC (Request For Comments, solicitação de comentários) para receber feedback de outros desenvolvedores e testadores do núcleo Linux, portanto, não é certo que venha a ser implementada no kernel.
A partir daqui, é provável que se gere um debate em torno da ideia e, talvez, mais revisões da proposta de patch que, finalmente, deverá ser avaliada para integração pelo responsável pela manutenção do código-fonte do kernel Linux na área correspondente.
Se, finalmente, não acabar por suscitar interesse suficiente ou os programadores e responsáveis pela manutenção não o aceitarem, pode ser descartado ou pode tornar-se um projeto externo ao kernel, mas que funciona sobre ele.
Por enquanto, as perspetivas para a sua adoção oficial são boas, uma vez que a comunidade está animada e causou algum alvoroço na mídia, como esta breve entrada no OSnews.







