A transformação digital da indústria deixou há muito de ser uma promessa distante. Hoje mede-se na capacidade de reduzir tarefas repetitivas, acelerar decisões, aproximar engenharia e negócio e responder mais depressa a mercados em mudança. É neste contexto que a Prysmian, grupo com presença em Portugal e atividade nos setores da energia, eletrificação e telecomunicações, reforçou a sua infraestrutura digital com a SAP.
A empresa concluiu a modernização através do programa RISE with SAP em apenas quatro meses, criando uma plataforma cloud unificada, resiliente e preparada para suportar inteligência artificial. O projecto dá à Prysmian uma base tecnológica comum para gerir processos, dados e automação à escala global.
A mudança tem significado estratégico. A Prysmian está a consolidar a passagem de fabricante de cabos para fornecedor global de soluções ligadas à transição energética e à transformação digital. Esta evolução reflecte uma realidade cada vez mais evidente: na indústria, a competitividade já não depende apenas da capacidade produtiva, mas também da forma como as empresas usam software, dados e inteligência artificial para ganhar eficiência.
A nova arquitetura integra SAP S/4HANA Cloud Private Edition, SAP Business AI, Joule e SAP Business Technology Platform. Na prática, esta combinação permite ligar sistemas de gestão empresarial, ferramentas de IA e plataformas de dados numa estrutura comum. O objetivo é melhorar a eficiência operacional, acelerar a tomada de decisão e reforçar a capacidade preditiva da organização.
Segundo informações da empresa, a Prysmian criou as bases para mais de 100 casos de utilização de inteligência artificial. Entre os exemplos estão a automação inteligente de encomendas de clientes, a reconciliação automática de pagamentos e a gestão inteligente de despesas. São processos que raramente aparecem no centro do debate público sobre IA, mas que têm impacto directo na produtividade das empresas.
É aqui que a tecnologia começa a tornar-se concreta. A IA deixa de ser uma experiência isolada ou um projeto de laboratório e passa a estar integrada em tarefas diárias. Automatizar uma encomenda, reconciliar pagamentos ou tratar despesas pode parecer pouco espetacular, mas é precisamente nestas áreas que muitas organizações perdem tempo, acumulam erros e consomem recursos humanos em trabalho repetitivo.
Segundo a empresa, o projeto permitiu automatizar 70% das atividades repetitivas com IA embebida, reduzir em 80% o tempo de implementação de novas soluções inovadoras e acelerar em 50% o tempo de chegada ao mercado de novos produtos. Estes resultados sugerem uma abordagem pragmática à IA, centrada menos no discurso tecnológico e mais na eficiência operacional.
Outro ponto relevante é a utilização da SAP Business Technology Platform para desenvolver uma plataforma avançada de design de cabos. Esta solução liga as áreas de engenharia e de negócio, uniformizando regras, processos e listas de materiais. Para uma empresa industrial com presença em mais de 50 países, esta normalização é crítica: reduz desalinhamentos internos, facilita o desenvolvimento de produto e torna a operação mais coerente entre geografias.
A escala da Prysmian ajuda a explicar a importância deste investimento. O grupo conta com 20 mil milhões de euros de receitas, 34 mil colaboradores, 109 unidades de produção e 30 centros de I&D. Num universo desta dimensão, pequenas melhorias nos processos podem transformar-se em ganhos relevantes quando aplicadas globalmente.
Em Portugal, a estratégia reflete-se nos mercados da energia, eletrificação e telecomunicações, áreas diretamente ligadas à modernização das infraestruturas e à transição energética. A empresa enquadra esta evolução na estratégia global Connect to Lead, com foco na competitividade dos clientes, na sustentabilidade, na inovação tecnológica e na digitalização dos processos de negócio.
A adoção de IA começa a ganhar valor quando assenta numa base digital sólida. Sem dados organizados, processos integrados e plataformas capazes de ligar diferentes áreas da empresa, a inteligência artificial dificilmente passa de promessa a instrumento de gestão.
No caso da Prysmian, a transformação digital aparece como uma peça industrial concreta, aplicada à operação, ao desenvolvimento de produto e à relação entre tecnologia e negócio. É uma abordagem menos ruidosa do que muitas narrativas sobre IA, mas provavelmente mais próxima daquilo que as empresas terão de fazer nos próximos anos para se manterem competitivas.







