Quando a workstation se transforma num centro de IA

O novo portefólio HP Z combina estações de trabalho fixas e móveis, partilha de recursos gráficos e sistemas preparados para ambientes híbridos. A proposta procura responder à pressão crescente sobre engenheiros, arquitetos, designers e programadores de inteligência artificial, sem retirar às equipas de TI o controlo sobre custos, segurança e gestão.
3 de Agosto, 2026

A HP apresentou uma nova geração de workstations HP Z e soluções de computação para inteligência artificial, reforçando a capacidade de processamento local destinada a cargas de trabalho como desenvolvimento de modelos, simulação, renderização, efeitos visuais e desenho tridimensional.

A atualização surge num contexto em que profissionais especializados trabalham com ficheiros maiores, modelos mais complexos e aplicações que exigem quantidades crescentes de memória e capacidade gráfica. Em paralelo, os responsáveis de TI precisam de disponibilizar esse desempenho sem perder controlo sobre a segurança, os custos operacionais, a gestão dos equipamentos e a localização dos dados.

A estratégia da HP passa por distribuir a capacidade de computação entre equipamentos locais, infraestruturas de perímetro e serviços na cloud, em vez de concentrar todos os processos num único ambiente.

No centro da atualização encontra-se a HP Z8 Fury G6i, concebida para tarefas intensivas de computação e inteligência artificial. O equipamento pode integrar até quatro processadores gráficos NVIDIA RTX PRO 6000 Blackwell Max-Q Workstation Edition, acompanhados por processadores Intel destinados a estações de trabalho.

Esta configuração dirige-se a organizações que necessitam de executar localmente tarefas como treino e desenvolvimento de inteligência artificial, simulações técnicas ou produção de efeitos visuais. A máquina pode também funcionar como equipamento anfitrião para o HP Z Boost, permitindo que vários utilizadores partilhem os recursos gráficos disponíveis.

A empresa introduziu ainda o HP Max Side Panel para as workstations Z8 Fury e Z4. Este expansor aumenta em 15% o volume interno do chassis, criando espaço para instalar placas gráficas de maiores dimensões sem recorrer a ferramentas.

Para os departamentos de TI, esta opção procura prolongar a vida útil dos equipamentos e facilitar atualizações futuras, mantendo simultaneamente as condições de refrigeração e de manutenção. Numa área em que os processadores gráficos representam uma parcela relevante do investimento, a possibilidade de ampliar uma configuração existente pode reduzir a necessidade de substituir integralmente uma workstation.

A expansibilidade assume particular importância num mercado em que a evolução das GPUs pode ser mais rápida do que os ciclos tradicionais de renovação dos equipamentos empresariais.

A atualização do portefólio inclui também as workstations móveis HP ZBook X G2i, HP ZBook 8 G2i e HP ZBook 8 G2a. Os equipamentos estão disponíveis com opções de processamento AMD ou Intel, gráficos integrados ou dedicados e configurações de memória adaptáveis a diferentes cargas de trabalho.

A HP posiciona a ZBook X como uma workstation móvel de 16 polegadas dirigida a utilizadores que necessitam de executar renderização e desenho técnico fora do escritório. O equipamento pode integrar gráficos da série 3000 e até 128 GB de memória RAM, procurando reduzir os estrangulamentos sentidos durante a criação de imagens fotorrealistas ou a revisão de projetos em tempo real.

Segundo dados apresentados pela empresa, um engenheiro que utilize o Autodesk Inventor numa ZBook 8 G2i pode concluir determinadas tarefas de renderização 3,3 vezes mais depressa. A HP introduziu igualmente um adaptador baseado em nitreto de gálio, ou GaN, que é até 40% mais pequeno e 50% mais leve do que a solução anterior.

A utilização de GaN permite construir carregadores mais compactos e eficientes, uma característica relevante para profissionais que transportam diariamente a workstation entre escritórios, instalações industriais, obras ou reuniões com clientes.

O objetivo das novas ZBook é aproximar o desempenho de uma estação de trabalho fixa da mobilidade exigida por equipas técnicas que já não trabalham permanentemente num único local.

O HP Z Boost constitui outro elemento da estratégia. A solução transforma as workstations com maior capacidade gráfica em recursos partilhados, permitindo que outros equipamentos acedam às GPUs disponíveis sem transferir ficheiros para plataformas externas ou interromper o fluxo de trabalho.

Inicialmente orientado para projetos de inteligência artificial, o Z Boost passa agora a abranger também processos de renderização. A HP indica que alguns clientes conseguiram realizar centenas de execuções adicionais de treino de modelos através da partilha de processadores gráficos.

Nas primeiras implementações aplicadas a renderização, a empresa registou tempos de processamento até 5,7 vezes inferiores em aplicações como Catia e Siemens NX. Neste modelo, as workstations de secretária HP Z disponibilizam a capacidade gráfica, enquanto os equipamentos móveis ZBook funcionam como terminais de acesso.

A abordagem procura melhorar a taxa de utilização de componentes que, apesar do custo elevado, podem permanecer inativos durante parte do dia. Para as equipas de TI, a partilha interna de GPUs pode representar uma alternativa à compra de uma placa dedicada para cada utilizador ou à transferência permanente das cargas de trabalho para a cloud.

A infraestrutura híbrida chega às workstations

O portefólio inclui igualmente o HP ZGX Nano e o futuro ZGX Fury, sistemas destinados a executar cargas de inteligência artificial localmente e a integrar-se em ambientes empresariais geridos.

A proposta procura responder a organizações que estão a reavaliar a dependência exclusiva da cloud, seja por razões de custo, segurança, latência ou residência dos dados. O processamento local permite manter determinada informação dentro da organização e reduzir o tempo necessário para enviar dados para um centro de processamento remoto.

Estas soluções suportam modelos de maior dimensão, gestão centralizada e configurações preparadas para instalação em bastidores técnicos. A HP pretende, desta forma, permitir que as empresas combinem capacidade local de elevada densidade com recursos na cloud, escolhendo o ambiente mais adequado para cada tarefa.

Para os CIO e responsáveis de infraestrutura, a decisão deixa de ser apenas entre computação local ou cloud e passa a centrar-se na distribuição de cada carga de trabalho pelo ambiente mais seguro, eficiente e economicamente previsível.

A empresa enquadra também estas workstations na evolução dos agentes de inteligência artificial. Ao contrário de sistemas limitados a responder a perguntas ou produzir conteúdos, estes agentes podem atuar sobre dados, ferramentas, aplicações e código para executar sequências de tarefas.

Plataformas e componentes de código aberto, como OpenClaw e NVIDIA NemoClaw, estão a ser desenvolvidos para incorporar políticas, mecanismos de controlo e regras de governação. Estes elementos serão necessários para que as organizações possam utilizar agentes de IA em ambientes de produção sem perder visibilidade sobre as ações realizadas.

Neste cenário, as workstations podem funcionar como infraestrutura local para testar, desenvolver e executar estes sistemas, mantendo sob controlo empresarial os dados, os acessos e os custos computacionais.

O portefólio HP Z integra-se ainda num ecossistema que inclui monitores, periféricos, ferramentas de colaboração, impressão de grande formato e aplicações de gestão. A plataforma HP Workforce Experience permite aos departamentos de TI acompanhar o desempenho dos dispositivos, a utilização da tecnologia e o retorno dado pelos colaboradores.

Mais do que uma atualização isolada de processadores e placas gráficas, o anúncio traduz uma tentativa de transformar a workstation numa peça partilhável da infraestrutura empresarial. Para os responsáveis de compras tecnológicas, a avaliação deverá considerar não apenas o desempenho máximo de cada equipamento, mas também a possibilidade de expansão, a utilização efetiva das GPUs, a integração com ferramentas existentes e o controlo exercido sobre os dados.

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