O estudo, que ouviu mais de nove mil colaboradores em 23 países, mostra um desconforto crescente no mercado nacional. Um terço dos trabalhadores em Portugal sente-se desvalorizado — mais 20 pontos percentuais face à média global. Não é apenas uma questão de insatisfação: trata-se de uma mudança profunda nas prioridades dos profissionais.
O relatório revela um reposicionamento claro do que pesa na decisão de ficar ou sair. O bem-estar surge como prioridade para 58% dos profissionais em Portugal, que esperam um papel mais ativo das empresas na oferta de benefícios adaptados. A nível global, essa expectativa é menos expressiva (49%).
O equilíbrio entre vida profissional e pessoal continua a ganhar peso. Quase 40% dos profissionais querem apoio direto à parentalidade, e 38% valorizam benefícios que ajudem no cuidado a familiares idosos — um reflexo direto do envelhecimento da população e das novas exigências sociais.
Outro eixo crítico: segurança financeira. Quatro em cada dez colaboradores esperam que as empresas contribuam para a literacia financeira e para uma melhor gestão dos rendimentos. Quando se olha para o longo prazo, 51% mostra abertura a produtos de poupança para a reforma, desde que sejam sustentáveis e financeiramente competitivos.
Mais do que políticas salariais, o estudo da Aon destaca a necessidade de uma abordagem estratégica. A falta de confiança na igualdade salarial por género permanece uma preocupação: em Portugal, 26% dos inquiridos duvidam da equidade, face a 18% a nível global.
Segundo Inês Almeida, consultora da Aon Portugal, “atrair e reter talento depende cada vez mais da capacidade das empresas se adaptarem ao que os colaboradores realmente valorizam”. Para isso, é preciso mais do que ajustes pontuais: requer um redesenho de cultura organizacional, flexibilidade nos benefícios, transparência nas remunerações e investimento em desenvolvimento de competências.
As organizações que ficarem presas a modelos antigos vão perder o jogo. Os dados mostram que a força de trabalho já mudou. Agora, a questão é saber se as empresas estão preparadas para acompanhar esta mudança.







