Redefinição do trabalho na era da automação inteligente e o dilema do retorno financeiro

A rápida expansão da inteligência artificial e da robótica no tecido empresarial global está a reconfigurar as necessidades de mão-de-obra e a transformar as dinâmicas operacionais. Um novo estudo da OCDE revela como o impacto tecnológico varia entre setores, enquanto as direções de tecnologia enfrentam o desafio acrescido de rentabilizar os investimentos realizados nestas plataformas.
27 de Julho, 2026

A adoção global de ferramentas e serviços de inteligência artificial registou uma evolução significativa nos últimos anos, subindo de uma taxa de 7% em 2021 para 20% em 2025. Este crescimento acelerado da tecnologia tem sido comparado, pela sua presença transversal, à chegada da eletricidade, antecipando um cenário em que a quase totalidade do tecido empresarial necessitará de integrar estas soluções ou de dominar a sua aplicação operacional.

Apesar da forte expansão, o impacto nos postos de trabalho apresenta variações substanciais consoante as áreas de atividade e as regiões. Num estudo sobre as perspetivas de emprego para 2026, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) indica que a exposição à disrupção provocada pela inteligência artificial generativa varia entre os 16% e mais de 70%, dependendo diretamente dos setores e das funções analisadas.

No âmbito das funções manuais e físicas, a introdução de novas tecnologias como os robôs dotados de inteligência artificial coloca em risco elevado setores tradicionais. Trabalhadores da construção civil, extração mineral, agricultura, pesca, silvicultura, produção e transporte de materiais encontram-se entre os segmentos sujeitos a estas transformações. Segundo a análise da OCDE, as tarefas rotineiras e de menor qualificação apresentam uma vulnerabilidade superior ao processo de automação, enquanto as competências cognitivas, sociais e criativas não rotineiras se revelam menos suscetíveis.

Neste contexto, o trabalho de cariz social, os serviços comunitários e os cargos de gestão mantêm uma menor exposição a esta transição. A organização internacional com sede em Paris destaca que as funções de liderança empresarial exigem frequentemente a criação de soluções inovadoras para problemas complexos, preservando competências essenciais que continuam a demonstrar resistência à automatização, mesmo numa altura em que a inteligência artificial já alcança determinados requisitos de elevada qualificação. Curiosamente, a OCDE aponta que certas atividades manuais específicas, tais como o trabalho de limpeza, o auxílio de cozinha e determinadas tarefas agrícolas ou operacionais, permanecem igualmente menos expostas aos efeitos diretos destas ferramentas.

Em sentido inverso, as funções intelectuais e técnicas ligadas à programação, à tradução e à interpretação enfrentam alterações operacionais diretas devido à evolução dos serviços de inteligência artificial. Nestes domínios específicos, a tecnologia direcionada para a geração de resultados já consegue executar uma parte substancial das tarefas com uma rapidez pelo menos duas vezes superior face aos métodos convencionais.

Diversas análises do setor confirmam que a transição tecnológica tem provocado a eliminação de postos de trabalho no curto prazo, embora analistas do mercado defendam a criação futura de novas carreiras à medida que os sistemas autónomos assumem as funções de menor qualificação.

A par do impacto no emprego, as direções de tecnologia e os responsáveis pelas decisões de compra enfrentam barreiras concretas na implementação destas ferramentas. A adoção em grande escala tem sido desacelerada pela dificuldade em demonstrar o retorno do investimento, a que se somam obstáculos de ordem regulatória e ética nas organizações.

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