Redes empresariais atingirão o seu limite de capacidade dentro de dois anos devido ao impacto da IA

O rápido avanço dos sistemas autónomos fará com que, a curto prazo e nos ambientes profissionais, o volume de dados triplique, o que obrigará as empresas a modernizar as suas infraestruturas de comunicações para evitar a saturação dos seus sistemas e fazer face aos novos desafios de segurança.
18 de Junho, 2026

A integração das novas tecnologias de automatização nos ambientes empresariais está a alterar profundamente as exigências a que as infraestruturas de telecomunicações estão sujeitas, e um estudo recente sobre o impacto destas ferramentas nas redes de campus e filiais, realizado pela Cisco em colaboração com a Foundry, revela que a rápida implantação de grandes modelos de linguagem e da inteligência artificial baseada em agentes está a submeter as redes empresariais a uma pressão sem precedentes.

Atualmente, um terço das organizações a nível mundial já implementou este tipo de inteligência artificial em grande escala nas suas operações diárias. Além disso, a grande maioria destas empresas prevê uma expansão significativa da sua utilização nos próximos dois anos. Como consequência direta desta adoção massiva, as previsões apontam para que o volume de dados gerado por esta tecnologia registe um crescimento de 235% num prazo de três anos, o que significará mais do que triplicar o tráfego de rede existente.

Este aumento massivo explica-se pela própria natureza das novas ferramentas; ao contrário dos utilizadores humanos, os programas autónomos funcionam à velocidade das máquinas, executando múltiplas chamadas a interfaces de programação, consultas a bases de dados e deduções em questão de segundos. Além disso, enquanto a inteligência artificial generativa tradicional exigia uma troca de informação predominantemente vertical entre o utilizador e o servidor central, os novos agentes automatizados geram um intenso tráfego lateral, uma vez que precisam de comunicar constantemente entre si e com outros dispositivos para resolver problemas em conjunto.

A par do volume de informação, outro aspeto crítico é a fragilidade destes processos face a falhas de transmissão. Os profissionais com maior experiência nestas implementações salientam que as operações empresariais baseadas na automatização são extremamente vulneráveis a qualquer problema de conectividade e largura de banda, sendo altamente dependentes da fiabilidade do tempo de atividade, da latência nas respostas e da possível perda de pacotes de dados. Uma interrupção menor, que passaria despercebida numa aplicação tradicional, pode paralisar o funcionamento de um agente inteligente.

Perante este cenário de exigência técnica, menos de um terço das organizações considera que as suas instalações estão totalmente preparadas para absorver o crescimento previsto. De facto, 76% dos inquiridos reconhecem a necessidade de realizar atualizações urgentes e três quartos dos responsáveis tecnológicos admitem que as suas redes atingirão o seu limite de capacidade nos próximos vinte e quatro meses.

No âmbito das infraestruturas locais e das sucursais, as redes sem fios estão a revelar-se o principal estrangulamento, sendo apontadas por mais de metade dos compradores de tecnologia como a área que exige maiores aumentos de capacidade.

Apesar de os responsáveis pelas tecnologias da informação demonstrarem grande confiança nas estratégias corporativas que conceberam, existe um claro desfasamento em relação à realidade técnica das suas redes. Embora as restrições orçamentais sejam citadas como o principal obstáculo pela maioria das organizações, praticamente todas as empresas têm previsto modernizar os seus sistemas de comunicações para evitar que a rede se torne o fator determinante do fracasso dos seus projetos.

Por fim, a implementação destas ferramentas alargou as superfícies de ataque e complicou significativamente a segurança corporativa. Nove em cada dez empresas afirmam ter dificuldades em manter as suas defesas atualizadas face às novas ameaças, e um número semelhante admite já ter sofrido algum tipo de prejuízo relacionado com estas tecnologias.

A isto acresce uma lacuna crescente na capacidade de observação, uma vez que as ferramentas tradicionais de monitorização apresentam sérias dificuldades para supervisionar os fluxos de comunicação que ocorrem entre os programas autónomos.

As conclusões do relatório evidenciam que melhorar a resiliência da rede, atualizar a segurança adaptativa e ampliar a capacidade de monitorização deixaram de ser processos secundários para se tornarem requisitos indispensáveis. Apenas as empresas que integrarem a modernização das suas redes como um pilar fundamental da sua estratégia tecnológica poderão garantir o sucesso na próxima geração de operações empresariais.

Opinião