O estudo identifica a inteligência artificial como o principal motor desta mudança. Com o avanço de modelos generativos e a maior acessibilidade a ferramentas como LLMs, agentes de ameaça conseguem criar, escalar e operar bots com mais facilidade. Isto reduziu as barreiras de entrada para cibercriminosos com menos recursos, aumentando o volume de ataques, inclusive os mais simples.
Setores como o de viagens e o retalho estão entre os mais afetados. No retalho, os bots maliciosos representaram 59% do tráfego. No setor de viagens, houve uma queda nos ataques de bots avançados (de 61% para 41%), mas um aumento nos ataques simples (de 34% para 52%), o que sugere uma mudança na estratégia dos invasores, agora focados em volume.
O relatório também destaca o papel crescente das APIs como vetor de ataque. Bots avançados voltaram-se para explorar a lógica de negócios dessas interfaces, observando diretamente fluxos de trabalho críticos com fraudes de pagamento, sequestro de contas e exfiltração de dados. Em 44% dos casos de bots avançados analisados, o alvo eram APIs. Os setores mais atingidos por este tipo de ataque incluem serviços financeiros, saúde e comércio eletrónico.
No setor financeiro, 22% dos ataques de apropriação de contas tiveram como alvo bancos, fintechs e empresas de cartão. A combinação de dados sensíveis, grande volume de APIs e métodos de autenticação frágeis tornou esse segmento particularmente vulnerável.
Ferramentas de IA amplamente conhecidas também vêm sendo utilizadas nesses ataques. O ByteSpider Bot, por exemplo, foi responsável por 54% dos incidentes com IA, seguido pelo AppleBot (26%) e o ClaudeBot (13%).
A análise sugere que a sofisticação técnica deixou de ser um pré-requisito para lançar ataques eficazes. O modelo de Bots-as-a-Service (BaaS) amplia o acesso a kits prontos e plataformas automatizadas, permitindo que até mesmo atores com baixa qualificação explorem brechas de segurança com impacto considerável.
A Imperva recomenda uma abordagem adaptativa por parte das organizações, com ênfase em tecnologias de deteção especializadas e gestão de riscos voltada para APIs e tráfego automatizado. O relatório é baseado na análise de 13 biliões de solicitações de bots maliciosos bloqueadas pela rede da Imperva em 2024.
O crescimento do tráfego automatizado, impulsionado pela IA, obriga as empresas a reverem as suas estratégias de segurança digital. A combinação de maior acessibilidade tecnológica com a evolução das táticas de ataque cria um cenário em que a capacidade de resposta precisa ser tão ágil quanto os próprios invasores. O foco agora é entender que o desafio não é só apenas técnico, mas também estrutural: bots maliciosos tornaram-se parte integrante do tráfego digital.







