Resultados da tecnologia suavizam tensão nos mercados

Os receios geopolíticos voltaram a pressionar as bolsas, mas os resultados das grandes tecnológicas norte-americanas ajudaram a conter as perdas, com a inteligência artificial a assumir um papel central nas expectativas dos investidores.
2 de Maio, 2026

Durante a sessão da passada quarta-feira, os principais índices bolsistas registaram pressão tanto na Europa como nos Estados Unidos, refletindo a preocupação dos investidores com o risco de uma nova escalada do conflito no Médio Oriente. Ainda assim, o desempenho financeiro de algumas das maiores empresas tecnológicas norte-americanas contribuiu para limitar essas quedas, sobretudo no segmento mais exposto à inovação digital.

Os resultados trimestrais das chamadas “7 Magníficas” acabaram por impulsionar o índice tecnológico norte-americano, mitigando também as perdas no S&P 500. Este movimento foi particularmente visível após a divulgação das contas da Alphabet, que evidenciaram um crescimento significativo associado ao desenvolvimento e integração de soluções de inteligência artificial.

A empresa reportou um aumento de 81% no lucro líquido, atingindo 62,6 mil milhões de dólares, enquanto as receitas cresceram 22%, para 110 mil milhões de dólares no primeiro trimestre, superando as expectativas do mercado. A reação positiva dos investidores refletiu a perceção de que a inteligência artificial está a traduzir-se em crescimento efetivo das receitas.

Em sentido oposto, a Meta introduziu maior cautela no mercado. Apesar de ter registado um crescimento de 33% nas receitas, que ascenderam a 56,3 mil milhões de dólares, surgiram sinais de fragilidade operacional. A redução no número de utilizadores, o aumento das despesas de capital e a ausência de um calendário claro para novos desenvolvimentos em inteligência artificial penalizaram o comportamento das ações, que caíram 6% em negociações fora do horário regular.

No segmento de computação na cloud, os dados mantêm uma trajetória de expansão. A Amazon adicionou 8,3 mil milhões de dólares em vendas associadas a serviços de cloud, totalizando 37,6 mil milhões no trimestre. Já a Microsoft beneficiou de um crescimento de 40% neste segmento, o que contribuiu para receitas totais recorde de 82,9 mil milhões de dólares e um lucro líquido de 32 mil milhões.

A evolução da cloud continua a ser um dos principais motores de crescimento das grandes tecnológicas, sustentada pela procura associada à inteligência artificial.

Este contexto está a levar os analistas a rever em alta os investimentos previstos em infraestrutura tecnológica. As estimativas apontam agora para um total de 725 mil milhões de dólares em despesas relacionadas com inteligência artificial ao longo deste ano. Os principais “hyperscalers” — Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet — deverão aumentar em 77% os seus investimentos face ao recorde de 410 mil milhões de dólares registado no ano passado.

Para decisores de tecnologia e responsáveis de compras, estes números reforçam, a competição entre fornecedores globais, que está a intensificar-se num contexto de investimento massivo, com impacto direto na oferta de serviços, preços e capacidade de inovação no mercado empresarial.

Com informação XTB

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