Resultados da Xiaomi confirmam rentabilidade da incursão automóvel

O Grupo Xiaomi encerrou o exercício de 2025 com indicadores recorde, impulsionados por um crescimento de 25% na receita total e pela transição do segmento de veículos elétricos para a rentabilidade operacional. A estratégia de diversificação tecnológica, que integra agora automóveis, dispositivos móveis e inteligência artificial, resultou num lucro líquido ajustado de cerca de 4,9 mil milhões de euros, o valor mais elevado na história da organização, enquanto a aposta em investigação e desenvolvimento continua a absorver uma fatia crescente do capital disponível.
27 de Março, 2026

O balanço financeiro da Xiaomi relativo ao ano terminado a 31 de dezembro de 2025 revela uma trajetória de expansão acentuada, com a receita global a fixar-se nos cerca de 57,3 mil milhões de euros. Este desempenho financeiro foi acompanhado por uma subida de 43,8% no lucro líquido ajustado face ao período homólogo, consolidando a saúde financeira do grupo num ano de forte investimento em novas frentes de negócio. O Grupo Xiaomi encerrou o exercício de 2025 com uma receita total de cerca de 57,3 mil milhões de euros, refletindo um crescimento de 25% face ao ano anterior.

No centro desta dinâmica esteve a divisão de veículos elétricos inteligentes e novas iniciativas. Durante 2025, este segmento gerou aproximadamente 13,3 mil milhões de euros, representando quase um terço da faturação total do grupo no último trimestre do ano. Mais relevante para os investidores e decisores do setor é o facto de esta área ter atingido o seu primeiro resultado operacional positivo anual, cifrado em 113 milhões de euros. No que respeita à capacidade produtiva, a empresa entregou mais de 411 mil veículos em 2025, estabelecendo uma meta de 550 mil unidades para o corrente ano de 2026. Pela primeira vez, o segmento de veículos elétricos inteligentes registou um resultado operacional anual positivo, sinalizando a viabilidade financeira da nova unidade de negócio.

A evolução cronológica dos produtos automóveis demonstra uma aceitação acelerada pelo mercado. Após o sucesso dos modelos iniciais, a marca apresentou em fevereiro de 2026, em Barcelona, o conceito de hipercarro elétrico Vision Gran Turismo. No mesmo período, o SUV YU7 manteve o volume de vendas mais elevado no seu segmento na China continental pelo sétimo mês consecutivo. Já em março de 2026, a nova geração do modelo SU7 confirmou a procura elevada, registando 30 mil encomendas confirmadas em apenas três dias e liderando o segmento de sedans com preços a partir dos 25.100 euros.

Apesar do foco na mobilidade, o negócio tradicional de smartphones manteve-se como o maior contribuinte para a receita, gerando cerca de 23,4 mil milhões de euros. A empresa comercializou 165,2 milhões de unidades globalmente, o que lhe permitiu conservar a presença entre os três fabricantes com maior volume de vendas no mundo pelo quinto ano consecutivo. Verificou-se um esforço deliberado na subida de gama, com os aparelhos de segmento premium — modelos com preço base superior a 376 euros — a representarem uma fatia recorde de 27,1% das vendas totais no mercado chinês. A empresa manteve-se entre os três maiores fabricantes mundiais de smartphones, com uma aposta crescente em modelos de gama alta que já representam mais de um quarto das suas vendas na China.

Paralelamente, a divisão de produtos IoT e serviços de internet alcançou máximos históricos. A receita de IoT cresceu 18,3%, atingindo os 15,4 mil milhões de euros, impulsionada pela venda de grandes eletrodomésticos e dispositivos acessórios. O negócio de serviços de internet acompanhou esta tendência com uma faturação recorde de 4,7 mil milhões de euros. A plataforma de inteligência artificial das coisas (AIoT) superou os mil milhões de dispositivos ligados, refletindo uma base de utilizadores ativos mensais de 754,1 milhões a nível global.

O suporte para este ecossistema integrado assenta num investimento robusto em tecnologia de ponta. Em 2025, as despesas em investigação e desenvolvimento ascenderam a cerca de 4,1 mil milhões de euros, um montante que sustenta uma equipa de mais de 25 mil especialistas. Para o triénio que agora se inicia, a organização prevê canalizar pelo menos 7,5 mil milhões de euros especificamente para o desenvolvimento de inteligência artificial. O investimento em investigação e desenvolvimento cresceu significativamente para suportar a integração da inteligência artificial no ecossistema de produtos e veículos.

Recentemente, a organização apresentou novos modelos de linguagem e voz desenvolvidos internamente, além de ter libertado o código para o seu primeiro modelo robótico de grande escala. Em março de 2026, a aplicação prática desta tecnologia foi demonstrada na fábrica de veículos elétricos da marca, onde sistemas robóticos operaram de forma autónoma com uma taxa de sucesso superior a 90% em tarefas complexas de montagem. Este avanço na automação industrial e na inteligência artificial é apontado como o pilar para a futura competitividade da empresa no mercado global.

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