Os robôs humanoides estão a aproximar-se de um ponto de viragem em que a maturidade tecnológica começa finalmente a alinhar-se com a necessidade económica. Essa é a principal conclusão do estudo Humanoid Robots 2026 – The Convergence Moment for a New Market, da Roland Berger, que identifica uma evolução do setor da fase experimental para uma futura implementação à escala industrial.
O relatório estima que, no futuro, estes sistemas possam operar com custos próximos dos dois dólares americanos por hora, um nível que poderá alterar a equação económica da produção em mercados com salários mais elevados, como vários países europeus. Neste contexto, a adoção de robôs humanoides surge como uma possível resposta à necessidade de preservar competitividade industrial, estimular novas atividades económicas e mitigar a falta de trabalhadores qualificados.
Do ponto de vista económico, o potencial é expressivo. O estudo projeta que os fabricantes possam atingir receitas de 300 mil milhões de dólares até 2035, podendo esse valor ascender a 750 mil milhões em cenários mais otimistas. A mais longo prazo, o mercado poderá alcançar os 4 biliões de dólares, uma dimensão comparável à da indústria automóvel.
A análise destaca ainda que a oportunidade não se limita aos fabricantes de robôs. O impacto poderá estender-se a toda a cadeia de valor industrial, incluindo motores, componentes mecânicos, sensores, eletrónica e equipamento de produção, criando áreas de receita sobre capacidades industriais já existentes.
Apesar do potencial, a industrialização plena ainda depende de várias etapas de maturação. O hardware encontra-se já num estádio avançado, mas o software, as cadeias de abastecimento e os enquadramentos regulamentares continuam em evolução. Por isso, os primeiros ganhos deverão surgir em tarefas repetitivas e bem delimitadas, como desembalar ou transportar artigos, antes de uma expansão gradual para operações mais complexas e autónomas.
A velocidade desta transição será também influenciada por fatores como durabilidade, segurança e responsabilidade. Em ambiente industrial, estes sistemas terão de garantir funcionamento contínuo em condições exigentes, o que obriga a novos métodos de teste e certificação.
A Europa parte de uma base industrial relevante, suportada por setores como a indústria automóvel, a engenharia mecânica e a automação. Ainda assim, o estudo indica que o continente continua atrás dos Estados Unidos e da China em investimento, escala e densidade de ecossistemas de startups.
Segundo a consultora, a região mantém capacidade tecnológica para beneficiar desta transformação, mas precisa de acelerar o investimento em cadeias de valor próprias e ganhar escala com rapidez. Esta necessidade torna-se particularmente crítica num momento em que os custos operacionais previstos para os robôs humanoides podem tornar economicamente viável o regresso de produção intensiva em mão-de-obra ao espaço europeu.
O estudo sublinha que esse cenário exige uma estrutura industrial europeia articulada, com maior escala, mais investimento e uma integração estreita entre indústria, fornecedores e desenvolvimento tecnológico. Sem esse esforço, o risco é de crescente dependência de tecnologia desenvolvida fora da Europa, reduzindo a retenção do valor económico no continente.
Mesmo com mais de 20 startups europeias dedicadas a robôs humanoides, a consultora alerta que, sem uma cadeia de valor capaz de acompanhar a velocidade dos EUA e da China, uma parte substancial do impacto económico poderá continuar a ser capturada fora da Europa, repetindo um padrão já observado noutros segmentos ligados à inteligência artificial.







