Robótica cresce entre jovens mas continua sem apoio suficiente

O Festival Nacional de Robótica voltou a reunir centenas de participantes em Barcelos, confirmando uma tendência de crescimento sustentado. Ainda assim, o presidente da Sociedade Portuguesa de Robótica alerta para a falta de investimento no setor, num momento em que a tecnologia já está integrada no presente da indústria.
28 de Abril, 2026

O RoboCup Portugal Open 2026, integrado no Festival Nacional de Robótica, reuniu mais de 400 participantes em Barcelos, num evento que, segundo Fernando Ribeiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Robótica, tem vindo a crescer de forma consistente nos últimos anos. Apesar desse dinamismo, o responsável considera que o apoio à robótica em Portugal continua aquém do necessário.

Fernando Ribeiro afirma que o investimento nacional em robótica permanece insuficiente, tanto ao nível da indústria como do Estado. Na sua perspetiva, outros países têm apostado de forma mais estruturada não só no desenvolvimento tecnológico, mas também na formação de pessoas nesta área. Para o responsável, trata-se de uma lacuna relevante num contexto em que a robótica deixou de ser uma perspetiva futura para passar a fazer parte do presente.

O impacto do evento no percurso dos participantes é apontado como um dos seus principais contributos. Ao longo da competição, os jovens são desafiados a construir robôs, resolver problemas concretos e competir entre equipas, num ambiente que estimula a aprendizagem prática e a partilha de conhecimento. A participação no festival é descrita como um fator de motivação e desenvolvimento de competências técnicas, com reflexos diretos na preparação de futuros profissionais para a indústria.

O responsável sublinha que esta experiência vai além do domínio técnico. A definição de objetivos concretos, a necessidade de trabalhar em equipa e a exposição a diferentes abordagens contribuem para uma formação mais completa. Esse processo, considera, terá impacto na qualidade dos profissionais que irão integrar o mercado nos próximos anos.

Criado em 2001, o evento atravessou várias fases ao longo de um quarto de século. A primeira edição foi marcada pela dificuldade em explicar o conceito de robótica e em captar patrocinadores, num período em que a área era ainda pouco compreendida. A evolução do evento reflete também a transformação da perceção da robótica, que passou de um conceito distante para uma realidade consolidada.

Entre os momentos mais desafiantes, Fernando Ribeiro destaca o período da pandemia, que levou à interrupção de várias equipas e dificultou a retoma das atividades. Ainda assim, os números atuais indicam uma recuperação, com crescimento registado nos últimos quatro anos e perspetivas de expansão na próxima edição.

O RoboCup Portugal Open assume também um papel estratégico na ligação ao contexto internacional. O evento funciona como etapa de qualificação para o RoboCup, considerado o maior encontro mundial de robótica, conferindo reconhecimento às equipas nacionais e à própria organização.

A evolução tecnológica, nomeadamente no campo da inteligência artificial, é outro dos eixos destacados. Embora a investigação nesta área remonte a várias décadas, o responsável lembra que muitas das equipas envolvidas no evento já trabalhavam com estas tecnologias antes da sua disseminação junto do público em geral. A disponibilidade atual de capacidade computacional veio acelerar essa evolução, tornando visíveis desenvolvimentos que estavam em curso há anos.

Ao longo do tempo, o festival acompanhou também períodos de crescimento mais acentuado, como o registado entre 2010 e 2012, consolidando-se como um espaço de experimentação e formação na área da engenharia robótica em Portugal.

Apesar da trajetória positiva e do aumento de participantes, o alerta mantém-se: sem reforço do investimento, o país poderá não acompanhar o ritmo de desenvolvimento internacional numa área considerada estratégica.

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