SAP acelera desenvolvimento com IA e reforça aposta em capacitação até 2030

No SAP TechEd 2025, a tecnológica alemã revelou um conjunto de inovações que integram a inteligência artificial em todo o processo de desenvolvimento de software e expandem o seu ecossistema de dados, mantendo o foco na capacitação de milhões de profissionais para a nova realidade do trabalho.
5 de Novembro, 2025

A SAP apresentou um pacote alargado de novidades tecnológicas no SAP TechEd 2025, com destaque para a integração profunda de inteligência artificial (IA) no processo de desenvolvimento de aplicações empresariais. A tecnológica quer tornar o percurso do programador mais rápido, autónomo e orientado a resultados. Ao mesmo tempo, compromete-se a capacitar 12 milhões de pessoas em competências ligadas à IA até 2030, uma meta que acompanha a transformação do mercado de trabalho impulsionada por estas tecnologias.

A solução SAP Build, a principal plataforma de desenvolvimento low-code da empresa, recebeu novos recursos de IA e maior integração com ferramentas externas. Os programadores ganham agora liberdade para trabalhar com agentes como Cursor, Claude Code, Cline e Windsurf, e aceder às capacidades da SAP Build diretamente a partir do Visual Studio Code, através de uma extensão dedicada, também disponível para outros ambientes no Open VSX Registry.

Foram igualmente anunciadas novas capacidades no Joule Studio, com a integração de agentes da plataforma n8n. Este reforço permitirá a construção e personalização de agentes inteligentes baseados em dados e no contexto operacional das empresas. Estes agentes são capazes de atuar de forma autónoma consoante as condições de negócio, otimizando processos em tempo real.

Ecossistema de dados mais aberto e interoperável

A SAP reforçou a interoperabilidade da solução SAP Business Data Cloud, que passa agora a integrar nativamente com a plataforma Snowflake, através de uma nova extensão. A parceria entre as duas empresas, denominada “SAP Business Data Cloud Connect”, permite aos clientes da SAP usar a infraestrutura de dados da Snowflake mantendo o contexto de negócio e a governança integrada da SAP.

Esta novidade complementa as integrações já existentes com a Databricks e a Google Cloud Platform, oferecendo aos programadores maior liberdade na forma como acedem, processam e armazenam dados, sem sacrificar os requisitos de compliance e integração com os sistemas SAP.

A nova funcionalidade “data product studio” permite transformar dados brutos em ativos reutilizáveis, prontos para análises, IA ou desenvolvimento de novas aplicações. Por seu lado, o motor de grafo de conhecimento da SAP HANA Cloud recebeu uma atualização que automatiza a criação de grafos de relações entre dados, facilitando a compreensão de como os dados se conectam e o que significam no contexto empresarial.

A multinacional alemã deu também a conhecer o seu primeiro modelo de fundação relacional para uso empresarial, uma IA treinada especificamente para prever resultados de negócio, e não apenas para tarefas linguísticas. O modelo, denominado SAP-RPT-1, pode ser usado em casos como previsão de atrasos de entrega, risco de incumprimento de pagamentos ou conclusão de encomendas.

Este modelo está disponível num ambiente de testes gratuito para programadores, permitindo explorar o seu potencial sem custos de entrada. A empresa revelou ainda novos assistentes de IA no Joule, que coordenam múltiplos agentes em diferentes departamentos e aplicações, permitindo executar fluxos de trabalho complexos de forma automatizada e integrada.

Entre os novos agentes disponibilizados, destaca-se um assistente de análise de processos de negócio, que ajuda as equipas a mapear e otimizar os seus fluxos operacionais, identificando ineficiências e oportunidades de melhoria com impacto mensurável.

Num compromisso a longo prazo com a transformação digital do trabalho, a SAP pretende formar 12 milhões de pessoas em competências ligadas à IA até 2030. O plano inclui a expansão de programas de formação prática, certificações e parcerias com plataformas como a Coursera, que disponibilizam conteúdos orientados para a nova realidade tecnológica.

Estes objetivos parecem responder a uma necessidade crescente do mercado e inserem-se numa estratégia mais ampla de democratização do acesso à tecnologia, procurando equilibrar a aceleração da inovação com a inclusão de profissionais no novo paradigma digital.