SAP aposta na autonomia empresarial com nova plataforma de IA

A SAP apresentou uma nova estratégia de inteligência artificial orientada para o ambiente empresarial, centrada na automatização de processos críticos e na integração de agentes de IA diretamente nos sistemas de gestão das empresas.
15 de Maio, 2026
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Imagem gerada por IA

A utilização de inteligência artificial exige níveis de precisão substancialmente superiores aos das aplicações de consumo. Foi esta a principal mensagem deixada pelo CEO da SAP, Christian Klein, durante a apresentação da nova estratégia de IA da empresa na conferência Sapphire.

Klein exemplificou essa diferença com um caso simples. Segundo o responsável, uma imagem gerada por IA com um erro visual pode ser aceitável num contexto criativo, mas o mesmo não acontece quando a tecnologia é aplicada a áreas como processamento salarial, fecho financeiro ou planeamento de cadeias de abastecimento, onde a margem para erro é muito reduzida.

A SAP considera que os atuais modelos de linguagem têm limitações quando aplicados a dados empresariais proprietários e processos críticos de negócio.

De acordo com a empresa, os modelos de IA generativa disponíveis no mercado foram treinados sobretudo com informação pública, o que os torna eficazes em tarefas como escrita, programação ou geração de imagens, mas menos preparados para compreender processos internos, políticas de segurança, requisitos regulatórios ou estruturas de permissões específicas das organizações.

Para responder a esse problema, a SAP anunciou a SAP Business AI Platform, uma plataforma que combina a SAP Business Technology Platform, a Business Data Cloud apresentada no início de 2025 e os serviços SAP Business AI numa única camada operacional.

No centro da arquitetura encontra-se um “context layer” concebido para integrar conhecimento de negócio proveniente dos sistemas ERP da empresa diretamente nos agentes de IA. A SAP explica que esta abordagem permite que os agentes operem com acesso contextual aos processos e dados empresariais, em vez de funcionarem de forma isolada.

A plataforma inclui também o Joule Studio 2.0, um novo ambiente de desenvolvimento de agentes de IA baseado numa abordagem orientada por intenção. Segundo a demonstração realizada pela empresa, o sistema procura compreender primeiro o problema de negócio antes de associar automaticamente dados e processos relevantes. Durante o desenvolvimento, os utilizadores podem acompanhar e alterar o código em qualquer fase.

A SAP pretende transformar os seus sistemas empresariais em plataformas capazes de executar processos de forma autónoma, reduzindo intervenção manual em operações complexas.

A estratégia estende-se à nova SAP Autonomous Suite, apresentada como uma evolução das aplicações empresariais da companhia. A empresa afirma que os sistemas passam a ser desenhados para executar processos de forma autónoma e não apenas para registar operações realizadas por utilizadores.

A suite integra mais de 50 assistentes Joule especializados em áreas como finanças, recursos humanos, procurement, cadeia de abastecimento e relacionamento com clientes. Estes assistentes coordenam mais de 200 agentes especializados para automatizar processos completos.

Um dos exemplos demonstrados foi o Finance Close Assistant, destinado à automatização de fechos financeiros complexos. A SAP mostrou um cenário em que o sistema coordenava operações distribuídas por doze entidades legais, quatro sistemas ERP e seis moedas diferentes. Os agentes de IA executavam tarefas como reconciliações, provisões e transações intercompany, atividades tradicionalmente associadas a processos manuais demorados.

A empresa apresentou igualmente o Company Memory, uma nova camada de gestão de conhecimento baseada na mesma estrutura tecnológica do SAP Signavio. Esta componente recolhe regras internas, padrões de decisão, processos e exceções organizacionais para disponibilizá-los aos agentes de IA durante a execução das tarefas.

Segundo a SAP, os agentes passam a construir e reutilizar “process patterns”, pequenas unidades estruturadas de conhecimento operacional que ajudam a identificar ações necessárias e comportamentos a evitar durante os fluxos de trabalho.

A tecnológica alemã reforçou também a aposta em soluções de IA específicas para diferentes indústrias. A empresa anunciou ferramentas dirigidas a 26 setores de atividade, incorporando regras operacionais, contexto de dados e requisitos regulatórios próprios de cada mercado.

A SAP quer diferenciar-se através da integração de conhecimento setorial e operacional diretamente nos modelos de IA utilizados pelas empresas.

A SAP revelou ainda o Joule Work, uma nova interface destinada aos utilizadores das aplicações empresariais da companhia. Em vez de navegar por aplicações tradicionais, os utilizadores passam a interagir através de espaços contextuais alimentados por IA.

Para a SAP, os agentes de IA deverão assumir tarefas operacionais e de conformidade, enquanto os colaboradores passam a concentrar-se em decisões estratégicas e colaboração.

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