Seguradoras apostam na IA generativa mas falham na governação dos dados

Um estudo da SAS junto do setor segurador revela uma confiança crescente na inteligência artificial generativa, acompanhada por intenções de reforço do investimento já no próximo ano. No entanto, persistem fragilidades na governação de dados, na centralização das infraestruturas e na disponibilidade de talento especializado, fatores que condicionam o retorno efetivo destas iniciativas.
16 de Fevereiro, 2026

A SAS divulgou as conclusões do estudo “Informe sobre o impacto da IA e dos dados: a confiança como chave”, centrado no setor segurador, que aponta para um paradoxo relevante: as seguradoras demonstram hoje maior confiança na IA generativa do que na IA tradicional, mas nem sempre investem o suficiente em mecanismos de controlo e governação que sustentem essa confiança.

O inquérito mostra que o investimento deverá continuar a crescer, embora de forma moderada. Apenas 8% das empresas prevê aumentar a despesa em inteligência artificial em 20% ou mais no próximo ano, enquanto cerca de 60% antecipa subidas entre 4% e 20%. Por outro lado, aproximadamente um terço das organizações estima aumentos residuais, até 3%, ou mesmo reduções no orçamento.

Este posicionamento revela prudência. Quando comparado com setores como a Administração Pública ou a banca, o mercado segurador apresenta um ritmo de transformação mais contido. Só 7% das seguradoras se considera “transformadora” no domínio da IA, o valor mais baixo entre os setores analisados, e 14% mantém infraestruturas de dados organizadas em silos, isto é, sistemas isolados que não comunicam entre si, o que dificulta a inovação e a adoção transversal destas tecnologias.

Apesar da crescente aposta na IA, o estudo identifica desequilíbrios relevantes. Mais de 40% das seguradoras encontra-se em cenários de subutilização de sistemas fiáveis ou, no extremo oposto, de confiança excessiva em sistemas ainda não testados. Em ambos os casos, o risco é semelhante: decisões baseadas em tecnologia sem o enquadramento adequado.

A governação de dados surge como um dos principais bloqueios. Mais de metade das empresas inquiridas, 51%, admite não dispor de um modelo eficaz de governação. O mesmo número reconhece que as suas bases de dados não estão centralizadas nem otimizadas. Na prática, isto significa que a informação crítica continua dispersa por múltiplos sistemas, o que compromete a qualidade analítica e limita o potencial da inteligência artificial.

A escassez de competências é outro fator apontado. Cerca de 44% das seguradoras identifica falta de talento especializado em IA, condição essencial para garantir que os modelos são corretamente desenvolvidos, monitorizados e ajustados.

O estudo conclui que, à medida que as seguradoras evoluírem na maturidade digital, o foco tenderá a deslocar-se para casos de uso com maior impacto no crescimento. As iniciativas orientadas exclusivamente para a redução de custos apresentam, segundo a análise, retornos mais limitados. Entre as oportunidades com maior potencial destacam-se a melhoria da experiência do cliente, a expansão da quota de mercado e o reforço da resiliência operacional.

Para os decisores de tecnologia no setor segurador, importa contar com o facto da inteligência artificial já estar na agenda estratégica, mas importa ter atenção redobrada para outro importante facto: a criação de valor dependerá menos da velocidade do investimento e mais da solidez das bases de dados, da governação e das competências internas que sustentam essa transformação.

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