A SAS divulgou as conclusões do estudo “Informe sobre o impacto da IA e dos dados: a confiança como chave”, centrado no setor segurador, que aponta para um paradoxo relevante: as seguradoras demonstram hoje maior confiança na IA generativa do que na IA tradicional, mas nem sempre investem o suficiente em mecanismos de controlo e governação que sustentem essa confiança.
O inquérito mostra que o investimento deverá continuar a crescer, embora de forma moderada. Apenas 8% das empresas prevê aumentar a despesa em inteligência artificial em 20% ou mais no próximo ano, enquanto cerca de 60% antecipa subidas entre 4% e 20%. Por outro lado, aproximadamente um terço das organizações estima aumentos residuais, até 3%, ou mesmo reduções no orçamento.
Este posicionamento revela prudência. Quando comparado com setores como a Administração Pública ou a banca, o mercado segurador apresenta um ritmo de transformação mais contido. Só 7% das seguradoras se considera “transformadora” no domínio da IA, o valor mais baixo entre os setores analisados, e 14% mantém infraestruturas de dados organizadas em silos, isto é, sistemas isolados que não comunicam entre si, o que dificulta a inovação e a adoção transversal destas tecnologias.
Apesar da crescente aposta na IA, o estudo identifica desequilíbrios relevantes. Mais de 40% das seguradoras encontra-se em cenários de subutilização de sistemas fiáveis ou, no extremo oposto, de confiança excessiva em sistemas ainda não testados. Em ambos os casos, o risco é semelhante: decisões baseadas em tecnologia sem o enquadramento adequado.
A governação de dados surge como um dos principais bloqueios. Mais de metade das empresas inquiridas, 51%, admite não dispor de um modelo eficaz de governação. O mesmo número reconhece que as suas bases de dados não estão centralizadas nem otimizadas. Na prática, isto significa que a informação crítica continua dispersa por múltiplos sistemas, o que compromete a qualidade analítica e limita o potencial da inteligência artificial.
A escassez de competências é outro fator apontado. Cerca de 44% das seguradoras identifica falta de talento especializado em IA, condição essencial para garantir que os modelos são corretamente desenvolvidos, monitorizados e ajustados.
O estudo conclui que, à medida que as seguradoras evoluírem na maturidade digital, o foco tenderá a deslocar-se para casos de uso com maior impacto no crescimento. As iniciativas orientadas exclusivamente para a redução de custos apresentam, segundo a análise, retornos mais limitados. Entre as oportunidades com maior potencial destacam-se a melhoria da experiência do cliente, a expansão da quota de mercado e o reforço da resiliência operacional.
Para os decisores de tecnologia no setor segurador, importa contar com o facto da inteligência artificial já estar na agenda estratégica, mas importa ter atenção redobrada para outro importante facto: a criação de valor dependerá menos da velocidade do investimento e mais da solidez das bases de dados, da governação e das competências internas que sustentam essa transformação.







