Segurança na cloud cresce em investimento mas perde em controlo

O aumento da complexidade dos ambientes cloud está a criar um risco estrutural que as equipas de segurança ainda não conseguem acompanhar. Um novo relatório global mostra que o problema já não é a falta de orçamento, mas a fragmentação tecnológica, a escassez de talento e a perda de visibilidade.
26 de Janeiro, 2026

O crescimento acelerado da cloud está a expor uma fragilidade que muitas organizações ainda não conseguiram resolver. Apesar do investimento contínuo em segurança, dois terços das empresas admitem não confiar na sua capacidade de detetar e responder a ameaças cloud em tempo real. A conclusão surge no 2026 Cloud Security Report, desenvolvido pela Cybersecurity Insiders em parceria com a Fortinet.

O estudo baseia-se num inquérito global a 1.163 líderes e profissionais de cibersegurança e aponta um diagnóstico claro. O principal problema já não é a ausência de investimento, mas sim a forma como a segurança está a ser implementada em ambientes cada vez mais dispersos. Ferramentas isoladas, falta de integração e dificuldade em manter uma visão unificada da infraestrutura estão a limitar a eficácia das equipas.

Esta fragmentação torna-se mais evidente à medida que a cloud evolui. Atualmente, 88% das organizações operam em arquiteturas híbridas ou multi-cloud, recorrendo a dois ou mais fornecedores para suportar workloads críticos. Este modelo é visto como essencial para a agilidade do negócio e para iniciativas como a adoção de inteligência artificial, mas tem um efeito colateral direto: a superfície de ataque cresce mais depressa do que a capacidade de defesa.

O relatório indica que 69% das organizações identificam a proliferação de ferramentas e as falhas de visibilidade como o maior bloqueio à segurança cloud, um valor que ajuda a explicar porque 59% continuam em fases iniciais de maturidade. Este dado contrasta com o peso crescente da cloud no orçamento de TI, que já representa, em média, 34% do investimento total em segurança.

A pressão sobre as equipas é agravada por um fator estrutural conhecido. Cerca de 74% das organizações enfrentam uma escassez ativa de profissionais qualificados em cibersegurança, o que obriga muitas equipas a trabalhar de forma reativa, dependentes de alertas manuais e com menor capacidade de antecipação.

Neste contexto, começa a ganhar força uma mudança de abordagem. Quase dois terços das organizações afirmam que prefeririam hoje uma estratégia baseada numa plataforma de segurança unificada, em vez de um conjunto disperso de soluções especializadas. A leitura implícita do relatório é que a consolidação e a integração poderão ser tão relevantes quanto o aumento do orçamento para reduzir o risco nos ambientes cloud.

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