Setor financeiro sob pressão com novas táticas de cibercrime

O mais recente relatório da Kaspersky mostra um ano marcado por ataques mais rápidos, técnicos e diversificados, impulsionados por IA, blockchain e novas formas de fraude que atingiram bancos, empresas e utilizadores finais.
17 de Novembro, 2025

O setor financeiro voltou a ficar exposto a um conjunto alargado de ameaças digitais ao longo de 2025, com destaque para ransomware, trojans bancários e novas formas de fraude baseadas em NFC. A análise anual da Kaspersky revela um cenário em rápida mudança, no qual técnicas clássicas foram combinadas com ferramentas automatizadas por inteligência artificial e estratégias de manipulação humana.

Segundo o estudo, 8,15% dos utilizadores enfrentaram ameaças relacionadas com finanças e 12,8% das empresas B2B do setor foram alvo de ransomware ao longo do ano. A empresa detetou ainda mais de 1,3 milhões de ataques de trojans bancários, um número que confirma o interesse contínuo dos atacantes neste segmento.

Tendências que marcaram o ano

O relatório digital destaca uma série de mudanças no modo como os ataques são conduzidos. Uma delas foi o aumento de incidentes na cadeia de fornecimento, que atingiram fornecedores externos e chegaram a afetar sistemas centrais e redes de pagamento. Esta tendência reforça a necessidade de controlo sobre sistemas de terceiros e integrações tecnológicas.

Outra evolução relevante foi a combinação de métodos físicos e digitais. Os grupos criminosos passaram a articular engenharia social, acesso interno e exploração técnica, criando ataques mais coordenados. O uso de aplicações de mensagens para distribuir malware também cresceu, substituindo gradualmente o phishing por e-mail. Trojans bancários reescritos para estas plataformas permitiram ampliar o alcance das infeções.

A automação suportada por IA tornou-se um motor importante nesta transformação. O malware passou a incorporar mecanismos automáticos de propagação e evasão, reduzindo o intervalo entre criação e ataque. Este movimento elevou a velocidade e o volume das campanhas maliciosas.

O segmento móvel também não ficou de fora. O relatório refere malware Android com técnicas ATS capazes de alterar valores e destinatários de transações em tempo real, sem que o utilizador o perceba. A isto junta-se o crescimento das fraudes baseadas em NFC, tanto presenciais como remotas, muitas vezes facilitadas por aplicações falsas que imitam serviços bancários.

No ecossistema Web3 observou-se a utilização de contratos inteligentes como infraestrutura de comando e controlo, permitindo aos atacantes manter operações ativas mesmo quando servidores tradicionais são desativados. Em paralelo, algumas famílias de malware perderam expressão, por dependerem diretamente das operações de grupos específicos.

O que pode mudar em 2026

A Kaspersky antecipa que os trojans bancários serão adaptados para distribuição em aplicações de mensagens como o WhatsApp, explorando a utilização destes canais por entidades empresariais e governamentais. Espera-se também um aumento de serviços de deepfakes e ferramentas suportadas por IA para reforçar técnicas de engenharia social, especialmente em processos de recrutamento e verificações de identidade.

O relatório prevê ainda o aparecimento de variantes regionais de infostealers, criadas segundo o modelo MaaS. As fraudes envolvendo pagamentos NFC deverão intensificar-se, com mais ferramentas dedicadas à exploração de transações sem contacto. Surge também a possibilidade de malware com comportamentos adaptativos, ajustando-se ao contexto onde é executado.

Para além disso, a venda de dispositivos falsificados já infetados, como smartphones Android ou televisores conectados, deverá manter a sua presença no mercado, representando uma forma de ataque que começa antes da primeira utilização do equipamento.

Recomendações para utilizadores e organizações

Recomenda-se a instalação de aplicações apenas a partir de lojas oficiais e a verificação da identidade do programador. Sugere ainda a desativação do NFC quando não está a ser utilizado e o controlo regular das contas bancárias para detetar movimentos inesperados.

No plano organizacional, a empresa defende uma estratégia baseada em ecossistema que integre pessoas, processos e tecnologia. Isso inclui avaliar infraestruturas, corrigir vulnerabilidades e recorrer a especialistas externos. Plataformas integradas de monitorização e resposta são indicadas como essenciais para reduzir o tempo de deteção. A formação regular dos colaboradores é vista como um fator crítico para reforçar a capacidade de identificação de riscos.

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