Sinais de expansão nas operações de Ashen Lepus

Um novo relatório da Unit 42, a equipa de inteligência de ameaças da Palo Alto Networks, descreve uma evolução marcada nas operações do grupo Ashen Lepus, associado ao Hamas, e indica um alargamento claro do seu alcance geográfico e temático.
11 de Dezembro, 2025

A Unit 42 divulgou uma análise atualizada sobre a atividade recente de Ashen Lepus, também conhecido como WIRTE, um grupo APT monitorizado desde 2018 e ligado ao Hamas. O grupo tem recorrido a um novo malware, identificado como AshTag, em ataques dirigidos a organismos governamentais e estruturas diplomáticas em vários países do Médio Oriente, incluindo Omã, Marrocos e a Autoridade Palestiniana. O objetivo mantém-se centrado na recolha de informação sensível através de operações de ciberespionagem.

Nos primeiros anos de observação, a atividade deste APT apresentava níveis moderados de complexidade. A Unit 42 detetou, contudo, uma mudança notória no último ano. Ashen Lepus passou a adotar técnicas mais avançadas, como o reforço do cifrado das cargas maliciosas, o recurso a subdomínios legítimos para ocultar a infraestrutura e a execução direta em memória para limitar vestígios forenses, uma evolução que torna os ataques mais difíceis de detetar e analisar.

A persistência do grupo ao longo do conflito entre Israel e o Hamas também mereceu destaque. Enquanto outras operações associadas diminuíram de intensidade, Ashen Lepus manteve atividade contínua e prosseguiu as campanhas mesmo após o cessar-fogo em Gaza, em outubro de 2025, introduzindo novas variantes de malware e realizando ações diretas dentro dos sistemas comprometidos. Esta continuidade operacional reforça, segundo a Unit 42, a capacidade do grupo para ajustar métodos e manter presença prolongada num ambiente político volátil.

A investigação indica ainda um aumento recente no uso de documentos de engodo relacionados com a Turquia e a sua relação com a administração palestiniana. Este movimento sugere que entidades turcas podem estar a tornar-se um novo foco operacional para o grupo, o que representa um desvio face aos alvos tradicionais e uma possível expansão estratégica.

De forma mais ampla, a Unit 42 conclui que a diversificação dos temas usados nos ataques e o alargamento do perfil das vítimas apontam para uma expansão significativa do alcance de Ashen Lepus. A expectativa é de que o grupo continue a ajustar as suas ferramentas e a seleção de alvos de acordo com prioridades de recolha de inteligência geopolítica, mantendo um ritmo de evolução técnica que exige vigilância reforçada por parte das organizações da região.

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