O projeto SNM Portugal, liderado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, nasceu em 2016 com o objetivo de preencher uma lacuna crítica: avaliar a vulnerabilidade costeira e criar cartografias de risco com precisão e rigor. Sob a direção de Carlos Antunes, Cristina Catita e Carolina Rocha, a equipa utilizou a tecnologia SIG (Sistemas de Informação Geográfica) da Esri para modelar cenários futuros de 2050 e 2100, respondendo aos desafios impostos por diretivas comunitárias da União Europeia.
“Com esta aplicação, vimos uma oportunidade de fazer esta avaliação e pôr em prática a utilização da tecnologia SIG para a avaliação de risco costeiro, avaliando cenários futuros de subida do nível médio do mar,” explica Carlos Antunes.
A Tecnologia ao serviço da ciência e da sociedade
Desde o início, o projeto fez uso do ArcMap, uma das ferramentas mais robustas da Esri, para espacializar e visualizar o impacto potencial da subida do nível médio do mar. Esta abordagem inicial permitiu uma análise detalhada das zonas mais vulneráveis em Portugal, considerando tanto fatores físicos como socioeconómicos.
À medida que o projeto avançava, os dados e mapas tornaram-se cada vez mais acessíveis, primeiro para entidades públicas através de serviços de mapas na web (WMS), e mais tarde para o público geral através da integração com ferramentas como o Esri StoryMaps e, recentemente, o ArcGIS Hub.
ES“Aproveitámos o Hub da Esri para tornar o conteúdo do visualizador mais apelativo e explicativo. No visualizador antigo não havia espaço para explicar a metodologia e agora conseguimos, de forma simples, explicar no que consiste cada produto cartográfico produzido,” destaca Carolina Rocha.
Resultados que impactam políticas públicas e decisões locais
A plataforma SNM Portugal tem demonstrado um impacto significativo, sendo já utilizada pela Agência Portuguesa do Ambiente como referência em análises de vulnerabilidade costeira. Em casos judiciais envolvendo projetos de construção em áreas vulneráveis, as cartografias de risco geradas pela plataforma foram apresentadas como evidência científica, destacando a importância da ferramenta para o processo de tomada de decisão.
Com a recente migração para o ArcGIS Hub, a plataforma apresenta agora um layout mais moderno e intuitivo, que facilita o acesso à informação. Entre os benefícios, destaca-se:
Interatividade: Visualização detalhada e interativa de mapas e dados.
Simplicidade: Explicações claras sobre metodologias e produtos cartográficos.
Agilidade: Ferramentas que otimizam o tempo de produção e disseminação de informação.
“A tecnologia Esri permitiu-nos fazer a montra da nossa investigação para o público, conseguindo explicar o trabalho de modulação de subida do nível do mar e a abordagem metodológica para quantificar o risco,” reforça Cristina Catita.
O futuro do SNM Portugal promete ainda mais avanços. A equipa planeia incorporar camadas de informação mais detalhadas e oferecer acesso restrito para utilizadores específicos, como empresas privadas ou investigadores. Novos cenários, como cartografias de emergência e planos de adaptação, também estão no horizonte.
“Gostávamos de explorar mais as potencialidades e as necessidades que teremos, e disponibilizar outros produtos e outros cenários,” conclui Carlos Antunes.
O SNM Portugal é um exemplo claro de como a combinação entre ciência, tecnologia e acessibilidade pode transformar a forma como se avaliam riscos e se planeiam respostas em face de desafios ambientais globais. Num contexto onde a subida do nível médio do mar ameaça comunidades e ecossistemas, a plataforma emerge como um recurso indispensável para Portugal e, potencialmente, para o mundo.
“Foi aí que nos capacitámos do enorme potencial que a tecnologia SIG tinha em si”, afirma Carlos Antunes, destacando o papel central da inovação tecnológica na gestão do risco costeiro.







