Startup Portugal procura consolidar posição no mapa tecnológico europeu

O ambiente vivido na SIM Conference, no Porto, refletiu um ecossistema tecnológico português mais focado em crescimento sustentável, internacionalização e capacidade de execução. A presença de investidores e fundadores internacionais reforçou a perceção de que Portugal está a entrar numa nova fase de maturidade no setor das startups.
16 de Maio, 2026

A terceira edição da SIM Conference reuniu mais de 4.000 participantes nos dias 14 e 15 de maio, na Alfândega do Porto, confirmando a crescente relevância do evento no circuito europeu dedicado ao empreendedorismo tecnológico. Com 400 startups, 200 investidores e mais de uma centena de oradores, a conferência decorreu num contexto em que o ecossistema português procura afirmar-se não apenas pela capacidade de criar empresas tecnológicas, mas sobretudo pela capacidade de as sustentar, escalar e internacionalizar.

Mais do que os números do evento, a edição deste ano ficou marcada pelo discurso dominante entre investidores, empreendedores e responsáveis do setor tecnológico. O foco deixou de estar exclusivamente na criação de startups e passou a centrar-se na maturidade operacional das empresas, na sustentabilidade financeira dos modelos de negócio e na capacidade de competir em mercados internacionais cada vez mais exigentes.

A SIM Conference refletiu um ecossistema português mais estruturado e alinhado com as áreas que atualmente concentram maior atenção do capital de risco europeu, como inteligência artificial e deep tech.

Ao longo da conferência, vários investidores defenderam que Portugal beneficia atualmente de condições particularmente favoráveis para o desenvolvimento de empresas tecnológicas. Entre os fatores mais referidos estiveram a disponibilidade de talento qualificado, a crescente experiência acumulada por fundadores portugueses e a visibilidade internacional alcançada por algumas startups nacionais nos últimos anos.

Sob o tema “Living on the Frontier”, a conferência abordou desafios ligados à captação de investimento, à internacionalização e ao crescimento das operações em mercados mais competitivos. O tom geral das intervenções mostrou também uma mudança de prioridades dentro do setor. Se, numa fase inicial, o objetivo era aumentar o número de startups criadas em Portugal, a discussão atual parece centrar-se mais na capacidade de transformar essas empresas em organizações sustentáveis e com presença internacional relevante.

A sessão de abertura ficou marcada pelo anúncio do “Tech Foundry Portugal – Deep Tech Edition”, programa nacional de aceleração apresentado pelo secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira. Desenvolvido pela Startup Portugal em parceria com a Hello Tomorrow, o projeto pretende aproximar investigação científica e mercado através de um programa de quatro meses direcionado para tecnologias avançadas e projetos de base científica.

O lançamento deste programa acompanha uma tendência mais ampla observada em vários países europeus, onde cresce a pressão para reforçar o investimento em tecnologias estratégicas e reduzir dependências externas em áreas consideradas críticas para a competitividade económica futura. Neste contexto, o posicionamento português em áreas de deep tech ganha maior relevância dentro das prioridades europeias.

Outro dos sinais de maior organização do setor foi a apresentação de uma plataforma de mapeamento do ecossistema empreendedor nacional, agregando informação sobre startups, investidores, incubadoras e universidades num único canal.

A iniciativa pretende simplificar o acesso à informação e aumentar a visibilidade dos diferentes intervenientes do mercado português, numa altura em que o crescimento do ecossistema começa também a criar maior necessidade de coordenação e integração entre empresas, investidores e instituições académicas.

Entre investidores e fundadores prevaleceu a perceção de que Portugal atravessa uma fase de maior maturidade tecnológica, beneficiando de um ambiente europeu mais favorável ao investimento em inovação e empresas de base tecnológica.

Opinião