Num mercado onde a pressão para reduzir custos convive com a necessidade permanente de modernizar infraestruturas tecnológicas, os equipamentos recondicionados ganharam um novo protagonismo. A procura por soluções mais económicas, sustentáveis e flexíveis está a crescer, sobretudo entre pequenas e médias empresas, criando espaço para novos modelos de negócio assentes na economia circular.
Foi neste contexto que a Viata, empresa tecnológica portuguesa com cerca de duas décadas de atividade, lançou o TechPrime by Viata, um portal de comércio eletrónico dedicado à venda e aluguer de equipamentos tecnológicos, com forte aposta em equipamentos recondicionados. Mais do que uma plataforma transacional, a empresa pretende combinar o comércio online com consultoria, assistência técnica e acompanhamento personalizado, mantendo a proximidade que caracteriza o seu negócio tradicional.
André Amorim, CEO da Viata, explica as razões que levaram ao lançamento do projeto, a aposta nos modelos de aluguer, a relevância crescente dos equipamentos recondicionados e os objetivos de crescimento para esta nova área de negócio.
O que levou a Viata a criar o TechPrime?
A criação do TechPrime surgiu no âmbito do plano estratégico da empresa. A Viata é uma tecnológica 100% portuguesa, com cerca de 20 anos de presença no mercado, mas que ainda não dispunha de um canal de vendas online estruturado.
Nos últimos anos percebemos que era importante reduzir a dependência de alguns grandes clientes e diversificar a nossa atividade. Queríamos crescer, robustecer a oferta comercial, reforçar os serviços e modernizar a empresa. O TechPrime nasce precisamente dessa necessidade.
Além disso, verificámos que os equipamentos recondicionados estavam a ganhar uma aceitação cada vez maior no mercado. Identificámos uma oportunidade clara para criar uma oferta especializada nesta área e responder a uma procura crescente por soluções tecnológicas mais acessíveis.
O mercado dos recondicionados já tem vários operadores. Onde pretende o TechPrime diferenciar-se?
A nossa visão vai além da simples compra e venda de equipamentos. O conceito do TechPrime está profundamente ligado à economia circular.
Muitos dos equipamentos que comercializamos têm origem em contratos de aluguer. O cliente utiliza o equipamento durante um determinado período, devolve-o no final do contrato e esse equipamento é preparado para uma nova utilização. Desta forma prolongamos o ciclo de vida dos ativos tecnológicos e reduzimos o desperdício eletrónico.
O objetivo é dar uma nova vida aos equipamentos sem comprometer a qualidade ou a experiência de utilização. Em muitos casos, um equipamento recondicionado oferece uma relação benefício-custo extremamente interessante quando comparado com um produto novo.
O TechPrime está muito orientado para o mercado empresarial. Essa foi uma decisão estratégica?
Sem dúvida. O ADN da Viata sempre esteve ligado ao mercado business-to-business e não pretendemos abandonar esse posicionamento.
O portal foi criado para preencher uma lacuna na nossa oferta comercial, mas funciona também como uma extensão natural do negócio da empresa. Continuamos a trabalhar com organizações que procuram adquirir ou subscrever um, cinco ou dezenas de equipamentos.
A diferença é que agora dispomos de um canal digital onde os clientes podem consultar soluções, mas sem perder a possibilidade de contacto direto connosco. Não queremos ser apenas um portal onde se compra um computador e termina a relação. Queremos acompanhar o cliente, compreender as suas necessidades e propor a solução mais adequada.
Uma das funcionalidades mais diferenciadoras do portal é a possibilidade de aluguer de equipamentos. Existe procura para este modelo?
Sim. Aliás, o aluguer já fazia parte da atividade da Viata antes do lançamento do TechPrime.
As empresas começam a perceber que muitas vezes não faz sentido investir grandes montantes na aquisição de hardware quando podem subscrever um serviço. Em vez de realizar um investimento inicial elevado, passam a ter um custo mensal previsível, com assistência técnica incluída e acesso permanente a tecnologia atualizada.
No final do contrato devolvem os equipamentos e podem renovar o parque tecnológico sem preocupações relacionadas com a revenda ou obsolescência dos ativos.
Esta abordagem permite ainda reduzir custos operacionais, evitar depreciações contabilísticas e libertar recursos internos. Para muitas PME que não dispõem de equipas informáticas próprias, esta solução acaba por ser particularmente atrativa.
Como funciona o modelo de aluguer da empresa?
Na maioria dos casos recorremos a financiamento próprio. Optámos por não depender de entidades financeiras externas para disponibilizar os equipamentos aos clientes.
Esta estratégia permite-nos manter uma relação mais próxima com as organizações, controlar diretamente todo o ciclo do serviço e preservar a capacidade de reintegrar os equipamentos devolvidos em novos contratos ou no mercado de recondicionados.
Naturalmente existem riscos associados, mas acreditamos que as vantagens compensam. Mantemos o contacto direto com o cliente, asseguramos a gestão integral do processo e reforçamos a nossa capacidade de prestar consultoria e assistência técnica especializada.
Que tipo de empresas procuram mais estas soluções?
Quando falamos especificamente de equipamentos recondicionados, são sobretudo as pequenas e médias empresas que demonstram maior interesse.
Para uma PME que necessita de renovar dezenas de computadores, a diferença de custo entre um parque informático composto por equipamentos novos e um parque baseado em equipamentos recondicionados pode ser muito significativa.
Além disso, trabalhamos essencialmente com linhas profissionais dos principais fabricantes, equipamentos concebidos para ambientes empresariais e que apresentam elevados níveis de fiabilidade. Isso permite-nos disponibilizar garantias e serviços de suporte consistentes.
Num projeto digital, qual é a importância do contacto humano?
Continua a ser fundamental.
Acreditamos que a automatização e a inteligência artificial têm um papel importante, mas não podem substituir totalmente o contacto humano. Muitos clientes continuam a precisar de aconselhamento, esclarecimentos ou simplesmente de falar com alguém antes de tomar uma decisão.
Por isso mantemos equipas dedicadas ao acompanhamento dos clientes e disponibilizamos também atendimento presencial nas nossas instalações em Alvalade. Recebemos clientes, entregamos equipamentos e prestamos apoio técnico de forma direta.
O mercado continua a valorizar relações de confiança e acreditamos que esse fator será determinante para o crescimento do negócio nos próximos anos.
Quais são as metas definidas para o TechPrime?
O projeto foi lançado no início de abril e ainda está numa fase inicial. Apesar disso, temos objetivos ambiciosos.
A expectativa é que o TechPrime represente cerca de 10% do volume de negócio da empresa durante o seu primeiro ano completo de atividade. Para isso contamos com uma equipa dedicada às áreas de marketing, estratégia e acompanhamento comercial.
Acreditamos que existe espaço para crescer num mercado que procura cada vez mais soluções tecnológicas flexíveis, sustentáveis e economicamente eficientes.
A aposta da Viata no TechPrime reflete duas tendências que estão a ganhar força no mercado nacional: o crescimento dos equipamentos recondicionados e a adoção de modelos de tecnologia como serviço. A empresa procura posicionar-se num segmento onde o preço é importante, mas onde o suporte técnico, a consultoria e a proximidade com o cliente continuam a ser fatores diferenciadores.







