No dia 7 de fevereiro, o Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa, abriu as portas do Técnico Innovation Center para a primeira edição do Telethon, um hackathon centrado no desenvolvimento de casos de utilização para redes 5G. A iniciativa contou com o apoio de cinco nomes com peso no mercado nacional: Huawei, MEO, Nokia, NOS e Vodafone.
A proposta foi simples na formulação e exigente na execução: pegar na tecnologia 5G, muitas vezes discutida em abstrato, e traduzi-la em aplicações concretas para setores económicos distintos. Ao longo de um único dia, 57 estudantes, organizados em 17 equipas, trabalharam sobre problemas reais em áreas que vão da agricultura à saúde, passando pela indústria, energia e cidades inteligentes.
O formato dividiu-se em três fases, terminando com a apresentação pública das soluções. O júri avaliou não apenas a componente técnica, mas também a clareza do raciocínio, a capacidade de estruturar o problema e a forma como cada equipa comunicou a sua proposta. Num contexto em que a tecnologia tende a ser complexa, esta dimensão revelou-se tão relevante como o próprio código.
O primeiro prémio, no valor de cinco mil euros, foi atribuído à equipa Tremoço, composta por alunos do Técnico. A proposta passou pela gestão e implementação de uma frota de drones para acelerar a entrega e recolha de cargas leves em centros urbanos. A solução assenta na utilização do 5G para assegurar comunicações rápidas e fiáveis entre dispositivos, um requisito essencial quando se fala de controlo remoto e coordenação em tempo real.
O segundo lugar, com 3.500 euros, distinguiu a equipa SyncLab, do Instituto Politécnico de Leiria e do Técnico, que apresentou uma solução orientada para reduzir ineficiências na deteção de fogos, melhorando a coordenação de recursos. Em terceiro ficou a Base10, também do Técnico, com um projeto de monitorização agrícola baseado em drones e sensores para recolha de imagem e dados no terreno.
Duas equipas receberam menções honrosas. A Circunshow, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, propôs um sistema de tradução em tempo real em contexto de aula através de óculos multimédia. A 4BarsStrong, do Técnico, apresentou uma rede de drones para estabelecer comunicações em cenários de emergência. Para além dos prémios monetários, os parceiros empresariais ofereceram estágios aos membros das cinco equipas finalistas, reforçando o caráter de ponte para o mercado de trabalho.
Do lado dos estudantes, a experiência foi descrita como intensa. A gestão do tempo, o trabalho em equipa e a necessidade de tomar decisões rápidas entre fases sucessivas do projeto foram apontados como os principais desafios. A presença de mentores do Técnico e das empresas permitiu validar ideias e ajustar propostas, aproximando o exercício académico das exigências do mundo empresarial.
A organização enquadra o Telethon como uma forma de mostrar como a conectividade pode responder a desafios concretos. Num momento em que episódios recentes de intempéries expuseram a dependência do país das redes de comunicações eletrónicas, a discussão sobre resiliência e investimento em infraestruturas ganhou nova relevância.
Para as empresas envolvidas, a participação insere-se numa estratégia mais ampla de aproximação ao talento jovem e de reforço do ecossistema nacional de inovação. O discurso converge na ideia de que a evolução das redes, cada vez mais programáveis e integradas com inteligência artificial, exige novas competências e maior articulação entre universidades e indústria.
O Telethon não resolve, por si só, os desafios estruturais do setor, mas cria um espaço onde a tecnologia é testada fora dos comunicados e dos relatórios estratégicos. Para decisores de TI e responsáveis de compras, a mensagem é clara: o 5G está a sair do plano teórico e a entrar em cenários de aplicação concreta, ainda que em ambiente experimental.
Num mercado onde a diferenciação passa cada vez mais pela capacidade de integrar conectividade, dados e automação, iniciativas deste tipo funcionam como laboratório e, ao mesmo tempo, como mecanismo de recrutamento. A competição mostrou que existe talento disponível e interessado em trabalhar problemas reais; a questão passa agora por saber como transformar estes protótipos em soluções escaláveis e sustentáveis no terreno.






